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Divulgação/Adote um animal resgatado do Instituto Royal |
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Beagles resgatados do Instituto Royal |
Maus-tratos a animais ou pesquisas dentro da lei? A retirada de 200 cães da raça beagle na madrugada de ontem do Instituto Royal, em São Roque, repercutiu em todo o Brasil. Uma ativista bauruense participou da ação e relata que, além de toda a tensão envolvida, nunca vai se esquecer do semblante de cada um dos cachorros resgatados do local.
A retirada dos animais do instituto que trabalha para farmacêuticas ocorreu por volta das 2h. Na cidade, localizada a 280 quilômetros de Bauru, um grupo de pelo menos 100 ativistas pulou os muros e começou a arrombar gaiolas.
Leandra Marquezine, 38, fez parte desse grupo. Com um casal de amigos de Mineiros do Tietê, ela, que milita há 22 anos pela causa animal, saiu de Bauru por volta das 19h30 e chegou a São Roque à meia-noite.
“Eu já estava acompanhando toda a movimentação pelo Facebook através da pagina da Frente da Libertação Animal, que organizou tudo pelas redes sociais. Por isso, fomos até lá. Depois, outro amigo nosso aqui de Bauru foi de moto e também ajudou”, conta.
Marquezine relembra que, quando chegou ao instituto, havia policiais, seguranças, advogados e ativistas da causa animal. “Falavam que haveria cerca de 40 beagles lá dentro. Quando entramos, tinha aproximadamente 200”.
Segundo ela, os ativistas esperavam entrar no local de maneira legal. Quando perceberam que isso não iria ocorrer, resolveram invadir e “resgatar” os beagles.
Ela relata que, na parte interna, o ambiente era totalmente insalubre. “Havia muitos filhotes e cadelas prenhes em estado de choque. O cheiro era muito forte. Os cães estavam estressados e muito assustados. Eles viviam dentro de gaiolas sem nem ao menos uma coberta para dormir. Era chão puro em meio a muitas fezes e urina”.
Além do próprio ambiente, o que mais a impressionou foram cães mutilados e outros já mortos. “Encontramos alguns filhotes congelados. É revoltante para a gente que ama e defende os animais ver tamanha crueldade”, critica a ativista.
A retirada
Leandra Marquezine relata que, depois da invasão, começou outro trabalho árduo: a abertura das gaiolas e a retirada dos beagles do local. “Pulei o muro várias vezes com os cães no colo. Tirei muitos animais que estavam lambuzados de fezes e vômitos. Perdi a conta de quantas viagens eu fiz até os veículos”.
Ontem, a ativista estava quase sem voz. Ela voltou para Bauru pela manhã e não trouxe nenhum dos beagles retirados do instituto.
Nas redes sociais, relatou que ficou todo esse tempo sem dormir e sem comer. Porém, afirmou que tudo valeu a pena. “Dentre todas as adversidades que passei, nenhuma supera a sensação de dever cumprido e orgulho que estou sentindo de ter estado lá”.
Marquezine ainda ressaltou que sempre se recordará daqueles cães retirados do instituto. “Jamais me esquecerei da alegria estampada no semblante de cada cão liberto. Mas todo o resto me traumatizou demais”.
A expectativa é de que o ato tenha efeitos mais duradouros e simbólicos. Leandra Marquezine afirma esperar o fechamento do Instituto Royal. “Além disso, nossa esperança é que essas pesquisas em animais acabem e seja adotado o modelo já realizado em outros países. Esperamos uma maneira alternativa de pesquisas. Sem sofrimento e dor”, finaliza.
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