08 de julho de 2026
Regional

Projeto deu utilidade à antiga estação

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 5 min

O Centro Cultural “Izavam Ribeiro Macario” foi inaugurado em 2008 e ocupa a antiga estação ferroviária de Pederneiras. A restauração do prédio e a compra de equipamentos consumiram investimentos na casa dos R$ 500 mil, da federação e do município.

Exposições com artistas, infocentro com computadores ligados em rede, painéis que contam a história da cidade e galeria de prefeitos fazem parte da magia cultural que o Centro oferece à população.

Desta forma a antiga estação, que estava abandonada, servindo de local para uso de drogas, pichações e depredações, passou ser uma área destinada ao desenvolvimento e conservação cultural. No hall de entrada, um espaço ficou reservado para exposições de artistas “prata da casa”.

No piso inferior, uma rede de computadores está conectada para contar, através de um meio moderno, a história do município e também o acesso as melhores bibliotecas e museus virtuais do mundo através da internet. No piso superior, parte das dependências abriga uma enorme biblioteca de arte, com obras relacionadas prioritariamente a cinema, música, teatro, artesanato, artes plásticas, pintura e fotografia.

Outra parte do Centro Cultural recebeu as sedes da Divisão de Cultura e Turismo da Prefeitura Municipal e do Projeto Baú de Memórias, que tem parceria com a faculdade FGP e Conselho Municipal de Cultura no desenvolvimento de atividades de resgate histórico. O local também abriga uma Galeria de Prefeitos com fotos e painéis com a história cronológica do município.


História

A linha férrea paulista chegou a Pederneiras em 1903. O prédio que hoje abriga o Centro cultural foi inaugurado em 1913 para abrigar a estação, integrando a linha férrea de Agudos, posteriormente, de Bauru. Enquanto este prédio não era construído, um barracão foi improvisado do outro lado da linha para que a população e as mercadorias pudessem embarcar no trem.

Quando estava em atividade, chegou a ter mais de 20 trens embarcando e desembarcando em Pederneiras. A estação era o ponto entre a bitola larga e a estreita. Era onde se fazia a baldeação de passageiros e mercadorias. Na década de 90, como último fôlego, a estação recebeu da Ferroban um ramal com conexão até o rio Tietê, o que facilitava o escoamento de mercadorias vindas do Centro-oeste do país. Anos após, a estação foi fechada e por anos esteve abandonada, tendo a sua estrutura secular saqueada e depredada.

A restauração da antiga estação considerou a história da cidade. Por isso, os detalhes do prédio foram resgatados. O piso e as sancas do teto foram refeitos com muito cuidado, a fim de manter a mesma aparência.

No hall de entrada do Centro Cultural se percebe a riqueza de detalhes que proporcionaram o renascimento da antiga estação. O piso e os azulejos receberam tratamento especial para ganhar vida. Um lustre passou a dar cor e luz à chegada dos novos visitantes. O Bar Paulista, antigo local onde os viajantes esperavam a chegada dos trens, também foi restaurado.

A plataforma hidráulica de embarque e o teto da antiga estação foram recuperados. As portas em madeira nobre e antiga foram trabalhadas à mão, à maneira que os registros antigos constavam. Móveis de época foram adquiridos pela atual administração para manter o saudosismo no local.

 

Centro Cultural Izavam Ribeiro Macário, rua Prudente de Moraes, S-211.


‘Herança’ barra obras em Itapuí

Uma obra inacabada e sem recursos para sua conclusão. Essa foi a herança que o atual prefeito de Itapuí, José Eduardo Amantini, recebeu da administração passada. “Nós herdamos um centro cultural não acabado e com um entrave. A verba de R$ 200 mil disponibiliza pelo Estado através de um convênio não teve sua prestação e contas aprovada.”

Amantini explica que, como a prestação de contas não fecha, a atual administração está impedida de efetuar novo convênio para concluir a obra. “O ex-prefeito usou parte do dinheiro em outras coisas, na melhor das hipóteses. Vamos ter que devolver os R$ 200 mil para o Estado porque não conseguimos fechar esse convênio. Usaram parte do dinheiro para aquisição de coisas que não tinham nada a ver com o objeto do convênio. Compraram até carriola de pedreiro, pá, makita e uma quantidade de tijolos absurda que daria para fazer três teatros”, afirma.

“O pior é que tínhamos R$ 150 mil de outro convênio que poderíamos conquistar para concluir a obra e estamos impedidos. Sem a prestação de contas anterior, não podemos fazer outro convênio”, acrescenta Amantini.

A obra foi projetada para ter um palco com capacidade para 144 lugares. “O centro cultural está sendo construído na antiga garagem da prefeitura, em um prédio anexo.”


Teatro foi inaugurado quatro anos após a obra do ‘Centro’

Com a estação ferroviária restaurada, o antigo galpão da ferrovia de Pederneiras que ficava ao lado clamou por reforma também. Em 2012 o local passou a abrigar o Teatro Municipal “Flávio Razuk”. Um espaço com capacidade para mais de 400 pessoas.

A inauguração do teatro em maio do ano passado contou com a presença da Orquestra Bachianas sob a regência do maestro João Carlos Martins. O evento marcou os 121 anos de Emancipação Político Administrativa de Pederneiras. O espaço consumiu investimentos na ordem de R$ 2 milhões de recursos municipais.

À frente do governo municipal na época, Ivana Maria Bertolini Camarinha confessou que foram muitas idas e vindas a Brasília, reuniões com líderes políticos buscando apoio para a concessão de uso do galpão. “Lutamos muito para transformar um galpão em espaço cultural.”

O Teatro Municipal “Flávio Razuk” tem uma das mais completas estruturas para apresentações artísticas e teatrais disponíveis na região. O palco tem 20 metros de largura e a capacidade do local é para 404 expectadores, incluindo assentos para portadores de necessidades especiais e pessoas obesas.

Ao lado do Centro Cultural “Izavam Ribeiro Macario” fica a Praça de Cultura e Lazer “Geraldo Antônio Cardoso” e o Teatro Municipal “Flávio Razuk”. O local da antiga Estação Ferroviária está completamente renascido em forma de um complexo cultural que resgata e incentiva a produção de arte e cultura em Pederneiras.

 

Teatro Municipal “Flávio Razuk”, Rua Prudente de Moraes, S/N, ao lado do Centro Cultural “Izavam Ribeiro Macário”.