Suor sem dor. Exercícios em lugar de remédios. Malhar para adiar, ou até mesmo evitar cirurgias. Essas vêm sendo premissas importantes no tratamento de doenças crônicas e na reabilitação física.
Não é só para prevenir doenças cardíacas que as atividades físicas são importantes. Elas são ótimas aliadas contra a dor. Os especialistas concordam que exercícios físicos liberam endorfinas - hormônios que têm ação analgésica - e ativam a circulação, consequentemente, fazendo com que o organismo melhore como um todo. Desde o sono até a fome, ou o excesso dela, ficam regulados e são beneficiados com os exercícios.
Isso é ponto pacífico e muita gente sabe disso há anos. Mas o medo leva às tradicionais desculpas. Isso só muda quando a pessoa se dispõe a correr, nadar, malhar para valer.
Mas um dos motivos que levam o indivíduo a adiar a ida a uma academia, a um preparador físico ou mesmo fazer atividades simples como caminhada, é a dor e o alto impacto dessas atividades. Quase sempre a grande desculpa é justamente essa: "Estou com um problema, não preciso de outro, não vou me arrebentar caminhando, correndo e ganhar outro problema..."
Entretanto, hoje a visão corrente é: faça atividade física, seja ela qual for, mas dentro do seu limite físico. E a ciência evoluiu tanto que dá para fazer a escolha por exercitar-se, se mexer, ter qualidade de vida e sem dor.
Sabedora do quanto a atividade física é importante, a pessoa se pergunta: tenho que me matricular já numa academia? Preciso me transformar num atleta? Não necessariamente. Essa é a grande novidade da reabilitação física.
Se você não quiser saber de movimentos pesados, faça atividades mais relaxantes, como ioga, alongamento ou caminhada. O importante é fazer algo com seu corpo. E até mesmo frequentar uma academia. Sem dor, sem medo de ser feliz.
"Sem dor, sem ganho"
Se ao fazer atividade física a pessoa não tiver dor, não forçar a musculatura não existe ganho real, certo? Não necessariamente. Quem começa a se exercitar tem dores. Isso é normal. Existe a chamada "dor do dia seguinte" que é a que ocorre quando a pessoa começa a trabalhar um grupo de músculos que não estava habituado. Essa tende a passar com o decorrer das atividades.
Ao subir degraus de uma escada, ou caminhar alguns quilômetros ou mesmo ao fazer abdominais, se isso não é algo comum à atividade da pessoa, haverá sim a dor. Mas se a pessoa continua se exercitando regularmente a dor passa, pois a musculatura se fortalece e se acostuma ao esforço.
Há também a dor intermitente. Aquela que não passa fácil ou demora a passar. Tanto pode ser uma lesão já preexistente agravada pelo exercício ou a própria atividade faz com que as lesões aconteçam. Isso porque é comum a ideia de que se a pessoa não sente dor, não está ganhando força na malhação ou não está havendo resultado concreto. Assim é que surgem casos de lesões musculares, muitas delas sérias.
Sem dor e com ganhos, sim!
Para evitar esse tipo de problema, os conceitos de atividades físicas estão mudando. Tanto que é grande o sucesso do Pilates como forma de melhorar o condicionamento físico. De uns anos para cá o Pilates conquistou milhares de adeptos. Principalmente entre as pessoas que têm aversão à palavra malhação e se arrepiam só de pensar em entrar em uma academia.
"O Pilates consiste na conscientização e reeducação corporal, trabalha a força, a tonificação e o alongamento de forma ampla e completa através de movimentos lentos e fluentes que excercitam o corpo como um todo e que, claro, não provoquem dor nem impacto", lembra a fisioterapeuta Maria Claudia Marchesan Rosella (especialista em ortopedia e traumatologia) do Ceadp - Centro de Estudos Aplicados à Dor e Prevenção, em Bauru.
O Centro é um espaço dedicado à compreensão anatômica, física e funcional do corpo humano, ajudando através da fisioterapia, as pessoas a se livrarem dessa velha companheira do ser humano: a dor, seja causada por lesões mais ou menos graves (tombos ou até acidentes) ou posturas erradas ao longo da vida, hábitos sedentários e falta de conhecimento do próprio corpo. Nele atua também a profissional Laura Caramaschi. As duas fazem parte de uma clínica onde recebem, ao lado de uma equipe de outros profissionais qualificados (Matheus Andreo, Carolina Rorato, Osvaldo Pinho e Fabio de Oliveira) pacientes com todos os tipos de queixas corporais e desconfortos. Todos com um objetivo único: o empenho de livrar-se da dor e deixar o corpo em equilíbrio.