09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Tributo a uma guerreira


| Tempo de leitura: 3 min

Sinceramente, fica difícil escrever sobre a vida desta mulher que nasceu de família simples, de pais com ascendência italiana, cujos avós imigraram para nosso País à procura de melhor qualidade de vida.

Difícil porque reúne tantos adjetivos, tanta dedicação, tantos exemplos a serem seguidos, tanto amor... que não haveria espaço para poder registrar.

Casa-se em 1947 com filho de espanhol e índia, e desse enlace nascem dois filhos, um menino e uma menina. Trabalhava incansavelmente para manter a casa, bem como os estudos do filho mais velho, a quem num futuro acreditava assumir a responsabilidade do lar. E assim aconteceu quando, em 1968, este jovem forma-se professor primário e começa, então, uma nova vida. Naquela época ser professor era o máximo, não só pelos altos salários que se recebia, mas pela nobreza da profissão.

Logo em seguida, a filha mais nova que trabalhava no comércio de Bauru, incentivada pelo irmão passa a estudar, formando-se professora. Chega em seguida a vez da mãe, que mal tinha o 2º ano primário, terminando de ser alfabetizada pelas mãos da querida professora Terezinha Delmindo, conseguir concluir o primário no Curso de Alfabetização de Adultos.

Matricula-se em seguida no curso ginasial do Colégio La Salle, tendo concluído com êxito. Continuando seus estudos, cursa o Técnico em Administração de Empresas, também no Colégio La Salle, onde seu filho mais velho já era o Diretor de período. Quanta dedicação! Era a aluna mais aplicada da sala. Nota Dez. E o nome dessa guerreira? Sim. Romilda Fachetti Gonçalves. Hoje, mãe, era o dia da grande festa, o seu aniversário. O que resta então?

Uma profunda saudade toma conta deste seu filho que a amou e continuará amando para toda a eternidade. Lembrar da recepção aos amigos que vinham para abraçá-la e sempre, com certeza, Um especial a visitava na Sagrada Eucaristia que se fazia presente na Santa Missa celebrada pelo nosso querido Pe. João Inácio. Não se ouve mais o Quinteto de Cordas que acompanhava um coro polifônico improvisado. E o "Glória na alturas", sua canção preferida, entoada por você até nos corredores do Hospital quando esteve internada.

Não teremos mais a bateria de fogos, tão pouco os ensaios de pequenos passos de uma valsa dos minuetos de Beethoven, Handel e Paderewiski, mas com certeza essa festa deve acontecer hoje lá no céu, bem próxima de Jesus Cristo, Nosso Pai, e de tantas outras pessoas a quem você amou aqui na terra.

Sua alegria sempre foi contagiante.

Mãe, o jasmim de Madagascar, sua flor preferida já desabrochou. São tantas flores que exalam o melhor perfume, a melhor fragrância já sentida. E isto só acontecia na semana do seu aniversário. A primavera também floresceu cobrindo toda a gruta da Virgem das Graças que continua a me acolher de braços abertos. Sinto sua presença todos os dias, todos os instantes, embora o silêncio me inquiete. Sua partida fêz-me refletir sobre o mistério da morte, embora muitas vezes não somos preparados para aceitá-la.

Tenho pedido em minhas orações que continue do lado de Cristo e que possa de onde estiver me abençoar sempre, servindo-me como mais um Anjo da Guarda. Até um dia, Grande Guerreira! Descanse em paz.

José Jurandir Gonçalves - com orgulho de ser seu filho