A demanda por modificações estruturais ao longo da avenida Nações Unidas continua crescente, no tempo, junto ao setor de engenharia de trânsito da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb). O aumento permanente do tráfego na via persegue a necessidade de projetos de adequação em “velocidade” inversamente proporcional à capacidade de implementação das adequações.
Diante da demanda, o engenheiro da Emdurb Aníbal Ramalho, especialista em projetos de sistema viário, apresentou ao JC as prioridades para modificações, cujos projetos em curso têm a função de minimizar problemas crônicos.
Eliminar focos de entrelaçamento entre alças de acesso próximas, dar sincronismo em vias de entrada ou saída da avenida na região com maior adensamento comercial - como da altura da alça próxima à Rodovia Marechal Rondon até o cruzamento com a avenida Rodrigues Alves - e prosseguir com o conceito de proibição das conversões à esquerda são alguns dos gargalos destacados nesta etapa de mutações viárias a que está sendo submetida a avenida.
Mas o especialista deixa claro que as mutações seguem o princípio de “atacar” os principais gargalos ao longo do trecho da altura do Jardim do Contorno até o cruzamento com a avenida Nuno de Assis, cada qual com uma característica, com especificidades. Que nenhum bauruense tenha ilusão, portanto, que os projetos anunciados nesta fase resolverão o crônico problema de densidade de tráfego na via. De fato, na origem, os novos projetos viários que deveriam ser de passagem rápida “correm” contra a velocidade do vertiginoso aumento na já reconhecida superfrota de quatro e duas rodas.
A Nações Unidas, em si, como obra física, é mais uma vítima da conhecida incapacidade do setor público de se antecipar à ocupação urbana. No sistema viário não é diferente. Assim, nenhum especialista em sistema viário deixa de pontuar que o bauruense vai conviver a cada dia em maior número de vezes com as cenas do congestionamento, realidade em outros inúmeros pontos.
Como lembra o acadêmico Archimedes Raia em um de seus estudos sobre trânsito e mobilidade urbana: “o número de veículos é sempre e cada vez maior para o mesmo número de vias”. Isso significa, no cotidiano, congestionamento. Os entrelaçamentos de veículos em acessos próximos, a fila além da baia para conversões e o trânsito que trava nas faixas que haviam sido geradas para tráfego rápido são e serão cada vez mais frequentes.
Por isso, as mutações em avenidas como a Nações são tão frequentes e realizadas em espaços cada vez curtos de tempo. E as intervenções para ajustes ou medidas de alívio terão de continuar, reforça a Emdurb.
Alguns princípios, nas mudanças, acompanham a realidade. Um deles é o de que as conversões à esquerda cada vez mais vão “sumir do mapa”. Com o inchaço de veículos nas faixas, não há espaço nem saída de engenharia que contemple a costumeira “atravessada” no meio da avenida. Mais semáforos, maior espera e mudança de conduta serão cada vez mais exigidos. O trânsito da “Sem Limites” também se adequa ao princípio de que dois corpos não ocupam o mesmo lugar. Nesta edição, acompanhe os projetos em curso para minimizar alguns desses gargalos na avenida Nações Unidas.