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Quioshi Goto |
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Marcelo Carbone, Verónica Goyzueta, Dino Magnoni, Jorge Zaffore e Flora Paulita participam da Semana de Comunicação da Unesp |
Em meio às infinitas formas de acesso à informação, as pessoas não procuram mais por dados, mas por estabelecer relações entre eles. A afirmação, do especialista em telecomunicações e direitos da informação social Jorge José Zaffore, é compartilhada por profissionais e estudiosos que estão em Bauru para participar do primeiro dia da Semana de Comunicação (Secom) 2013 da Universidade Estadual Paulista (Unesp), que segue até o dia 25 (leia mais abaixo).
Argentino, Zaffore visitou ontem o espaço Café com Política do JC na companhia da jornalista peruana Verónica Goyzueta, mestre em Educação, Arte e História da Cultura, e da atriz, produtora, radialista e dubladora Flora Paulita. Para o especialista, mais do que se dar conta de um fenômeno, as pessoas anseiam por saber como ele interfere em sua realidade.
“Para acessar dados, temos uma série de ferramentas de busca na Internet. O importante, agora, é detectar as relações entre as pessoas e as informações existentes, não a informação pura e simples”, pondera. Trata-se de uma nova realidade que foi introduzida, em grande medida, pelas novas tecnologias, mas que ainda é pouco conhecida e explorada.
Para Zaffore, que ministrou a palestra de abertura da Secom ao lado de Verónica, na noite de ontem, as empresas de comunicação mais tradicionais continuam produzindo conteúdos semelhantes entre si e, quase sempre, não representam o povo em seus interesses.
Nesse sentido, as “micromídias” difundidas por meio da Internet garantiram novas formas de produzir e ter acesso a conteúdos, de maneira mais interativa e personalizada.
“As coisas se fragmentaram muito. Há gente que se torna conhecida e sobrevive financeiramente apenas através da Internet. Ou sai da Internet para os veículos tradicionais e, por consequência, se torna conhecida pelo grande público. Houve uma mudança de paradigma”, aponta Verónica.
Zapping do mouse
Mas, para o professor da Unesp Dino Magnoni, ainda falta à maioria das pessoas formação intelectual, política e cultural para explorar toda a capacidade de informação proporcionada por estes novos meios. “Hoje, a Internet é entretenimento e consumo. O zapping frenético do controle remoto da televisão passou para o mouse”, analisa.
Dino entende que a dificuldade para a análise e posicionamento críticos é reflexo de um país que possui tradição autoritária. Mais de 100 anos de República foram vividos sob regimes militares e a tentativa de mudança demonstrada neste ano coincide com o aniversário de 25 anos d Constituição Federal.
Para os especialistas, o descontentamento com a grande mídia e a ida às ruas de milhões de pessoas no Brasil, neste ano, têm forte ligação com as novas formas de comunicação estabelecidas por meio da Internet.
“Tudo que conhecemos até então precisa ser repensado novamente, sob a perspectiva do povo. A Internet está produzindo novos cérebros e esta nova realidade precisa ser considerada em todas as áreas, inclusive na educação”, pondera Zaffore.
A Semana
Iniciada ontem, a Semana de Comunicação 2013 segue até o dia 25 na Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru com a participação de palestrantes de renomes nacional e internacional. A programação foi organizada pelos docentes e alunos dos cursos de jornalismo, rádio e TV e relações públicas.
Ao todo são mais de 30 atividades, 22 palestrantes, 18 oficineiros e 200 trabalhos aceitos. Entre os destaques de hoje, estão a palestra “Jornalismo de Aventura: os 125 anos da National Geographic”, às 14h, e a mesa-redonda “Comunicação no Pós-mídia”, a partir das 19h. Também às 14h, a radialista, produtora e atriz Flora Paulista ministra a palestra “A nova cadeia do audiovisual”.
Na sexta-feira, o destaque fica para a mesa-redonda “Vida pós-Unesp”, em que ex-alunos, hoje profissionais consagrados, contarão suas experiências no último dia de evento, com a presença do jornalista Luiz Carlos Azenha, que já integrou a equipe de jornalistas do Jornal da Cidade. Outras informações sobre o evento podem ser acessadas pelo Facebook (fb.com/SeCom-2013) ou pelo Twitter (@secom2013).
Centro do espetáculo
Embora reconheça as mudanças positivas proporcionadas pela Internet, o professor Dino Magnoni avalia que o País, por ter vivido tantos anos sob regimes ditatoriais, não possui tradição de protestos e ainda engatinha no processo de luta popular por mudanças.
“As manifestações deste ano foram articuladas por pequenos grupos. No mais, era uma multidão que seguiu a direção que lhes foi dada. Não dá para ir a uma manifestação como quem vai a uma festa, apenas para se sentir o centro de um espetáculo transmitido pela TV”, pondera.
Para Flora Paulita, atriz e produtora que participou das manifestações pela redução na tarifa do transporte público, em São Paulo, a Internet teve papel importante para mobilizar e gerar grupos de debates, mas acredita que um grande número de participantes saiu às ruas sem um propósito estabelecido.
“Muitos não entenderam que não se muda um país do dia para a noite. A luta por mudança tem de acontecer com conhecimento de causa e persistência”, diz.
Os especialistas não sabem afirmar se este estado de inquietação irá perdurar, mas acreditam que há uma transformação em curso que já modificou a nossa sociedade. “As pessoas estão reagindo, se cansaram daquele modelo concentrado de produção de informação e estão buscando outros canais, outras formas de pensar e agir”, pontua a jornalista peruana Verónica Goyzueta.