09 de julho de 2026
Nacional

Dilma sanciona lei do Mais Médicos e pede desculpas a médico estrangeiro

Por Tai Nalon e Flávia Foreque | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Sob gritos de "olê olê olá, Dilma" e na presença de vários ministros de Estado, a presidente Dilma Rousseff sancionou o programa Mais Médicos e fez questão de pedir desculpas ao médico cubano Juan Delgado, 49, que foi vaiado ao desembarcar no aeroporto de Fortaleza, em agosto passado. Pouco antes, o ministro Alexandre Padilha (Saúde) classificou o episódio de "corredor polonês da xenofobia".

"Não apenas pelo fato de ele ter sofrido um imenso constrangimento ao chegar ao nosso país, do ponto de vista pessoal e do governo, eu peço nossas desculpas a ele", discursou a presidente.

Dilma sancionou nesta terça-feira (22) o programa Mais Médicos, que envia médicos para regiões remotas do país. Ela fala neste momento a uma plateia de cerca de 600 médicos, sobretudo estrangeiros. Antes, foi elogiada por sua coragem por lançar o programa pelo ministro Padillha.

Em seu discurso, Padilha negou que o programa tenha caráter eleitoreiro --o petista é candidato virtual ao governo de São Paulo em 2014. Padilha argumentou que quem aponta intenções políticas no Mais Médicos "parece não ter percebido que a solução foi [um pedido] de prefeitos e prefeitas de todos os partidos desse país".

"Há três semanas eu estava junto do prefeito de Salvador, do DEM. Ninguém pode dizer que o DEM é um partido aliado da presidenta Dilma, e fomos visitar duas unidades de saúde", afirmou o ministro.

Para ele, essa alegação é feita por aqueles que já têm garantido atendimento médico. "Só quem tem a facilidade de ter acesso a médicos pode dizer que é eleitoreiro um programa que leva [os profissionais] para milhões e milhões de pessoas."

Corredor polonês

Numa fala de cerca de meia hora, Padilha citou exemplos de cidades que já receberam os profissionais do programa e de brasileiros que passaram a ter melhor atendimento. E citou o médico cubano Juan Delgado.

"Aquele corredor polonês da xenofobia que te recebeu em Fortaleza não representa o espírito nem do povo brasileiro nem da maioria dos médicos brasileiros", disse Padilha. Delgado, presente à cerimônia de sanção da lei, recebeu longas palmas da plateia.

Padilha fez vários elogios à presidente Dilma, e destacou que a iniciativa "corajosa" de lançar o programa já está sendo reconhecido pela população brasileira. Na época do lançamento, o programa foi alvo de críticas de entidades médicas, que realizaram diversos protestos.

"Não tenho dúvida nenhuma que o ato de coragem da presidenta Dilma já é reconhecido pela população e será cada vez mais. Porque o Mais Médicos não é apenas essa ação emergencial e transitória, que já tem da população um profundo reconhecimento."

É o segundo evento no Palácio do Planalto sobre o programa. Em julho, Dilma participou de evento semelhante ao lançar o Mais Médicos. Agora, num salão com ministros, deputados e senadores, sancionou nesta terça-feira a lei, com alguns ajustes feitos pelo Congresso Nacional.

Tramitação

Durante a tramitação na Câmara e no Senado, o governo atuou para evitar grandes alterações ao texto original - com isso, foi mantida a essência do programa, como a permissão para que médicos formados no exterior sem revalidação de diploma possam atuar no Brasil por um determinado período.

A mudança mais expressiva feita na medida provisória permitirá agora acelerar o programa: caberá ao Ministério da Saúde, e não mais aos conselhos regionais de medicina, a tarefa de emitir os registros dos médicos intercambistas. O governo alegava que as entidades, contrárias ao programa, estavam atrasando propositalmente a emissão dos documentos.

A primeira etapa do Mais Médicos registrou a participação de 1.258 profissionais, entre aqueles formados no Brasil e no exterior. Na segunda rodada, foram inscritos 2.149 médicos (2.000 deles de Cuba), além de 416 profissionais com diploma nacional - balanço preliminar mostra que, desses, apenas 171 se apresentaram aos municípios.

De acordo com o Ministério da Saúde, 1.232 médicos já estão atuando em postos de saúde em todo o pais. No mês passado, 320 mil consultas foram feitas pelos médicos do programa.