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Raul de Paula, Wilson Pollara, Rodrigo Agostinho, Fernando Monti e Paulo Eduardo de Souza participaram ontem de reunião na Capital |
Em reunião realizada na manhã de ontem na Secretaria de Estado da Saúde, em São Paulo, o prefeito Rodrigo Agostinho sinalizou com a possibilidade de assumir parte da gestão do Hospital de Base. Ao menos inicialmente, a proposta seria administrar o atendimento ambulatorial e as internações clínicas mais simples, como a de pacientes que não dependem de cirurgia nem de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Os termos da iniciativa serão descritos pelo município em um plano a ser apresentado à secretaria dentro de 30 dias. Ainda não há prazo para que a ideia, considerada ainda embrionária, seja posta em prática, mas todos os envolvidos são unânimes em afirmar que ela representa um passo importante para resolver o problema da fila de espera por leitos hospitalares em Bauru.
Da reunião, ontem, participaram o secretário adjunto da Secretaria de Estado da Saúde Wilson Pollara, o coordenador de Regiões da pasta, Affonso Viviani, o prefeito Rodrigo Agostinho, o secretário Municipal de Saúde Fernando Monti e os vereadores da Comissão de Saúde da Câmara Raul Gonçalves de Paula (PV) e Paulo Eduardo de Souza (PSB).
Além da mudança na gestão do Hospital de Base, hoje administrado pela Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar (Famesp), os envolvidos também discutiram a transferência da regulação das vagas de internação para o município, incumbência que cabe, atualmente, à Secretaria de Estado e à Famesp.
A alteração já vem sendo projetada há algum tempo e também deverá constar no texto do plano. No longo prazo, a ideia é que a prefeitura possa assumir todo o Hospital de Base, assim como a Maternidade Santa Isabel e serviços em outros hospitais, como o Manoel de Abreu.
Recursos
Apesar da mudança de gestão, os recursos continuariam sendo repassados pelo governo do Estado e pela União, por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), sem custos significativamente adicionais para o município. “Muitas coisas ainda não estão definidas, mas o fato é que o município começará a participar mais ativamente da gestão da assistência hospitalar de Bauru. Conseguimos estabelecer um canal de diálogo muito positivo, como não tínhamos conseguido até então”, pontua o prefeito, referindo-se à Secretaria de Estado da Saúde, que está sob gestão de um novo titular, David Uip, desde o início do mês passado.
Segundo vereadores e o secretário Fernando Monti, diferentemente de outras ocasiões, desta vez o Estado teria sido explícito ao dizer que a falta de vagas de internação não é um problema financeiro, mas meramente de falta de um “projeto consistente”.
Da mesma forma, o município também se mostrou mais disposto ao diálogo, já que, no passado, chegou a rejeitar a gestão da rede hospitalar sob a justificativa de que não poderia arcar com as dívidas trabalhistas dos funcionários – que precisariam ser demitidos e recontratados em novo regime.
Rodrigo, no entanto, ainda adota tom cauteloso e salienta que, somente após a elaboração do plano, ao longo dos próximos 30 dias, será possível estabelecer quais atribuições o município terá condições de assumir.
Inicialmente, a ideia é que a prefeitura passe a gerir – no Base ou em outros hospitais, como o Manoel de Abreu – atendimentos ambulatoriais e as internações menos complexas, como a de pacientes com pneumonia, por exemplo, que precisam permanecer internados temporariamente para receber medicamentos que só são fornecidos pelos hospitais.
Destino do Centrinho
O secretário estadual de Saúde, David Uip, deve se reunir hoje com o reitor da Universidade de São Paulo (USP), João Grandino Rodas, para discutir a possibilidade de o Hospital de Reabilitação de Anomalias Cranofaciais (HRAC/Centrinho), ligado à universidade, ser utilizado como alternativa para suprir a falta de vagas para internação em Bauru. A informação foi dada no último fim de semana pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), em visita à região de Bauru.
De acordo com o governador, é o próprio secretário quem, com sua experiência, analisará se o novo prédio do Centrinho poderá ser porta de entrada (como pronto-socorro) ou referência em especialidades. Conforme o Jornal da Cidade divulgou há uma semana, o secretário anunciou a abertura imediata de 16 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Estadual, que contará também com mais 10 leitos clínicos. Já no Hospital de Base serão novos 20 leitos gerais.
De exames a até dois hospitais
Na reunião realizada ontem na Capital, diversas possibilidades foram discutidas entre a prefeitura e a Secretaria de Estado da Saúde. O desejo do Estado é de que o município possa assumir a gestão integral do Hospital de Base e da Maternidade Santa Isabel, algo que não está descartado a longo prazo.
Mas, inicialmente, o prefeito acenou com a possibilidade de assumir apenas parte dos serviços de internação, o que pode até não acontecer de imediato, dependendo das avaliações que forem suscitadas ao longo do próximo mês. Na pior das hipóteses, a prefeitura poderá se responsabilizar, num primeiro momento, pela regulação das internações e pelo agendamento de exames de diagnóstico dentro dos hospitais, conforme observa o secretário Fernando Monti.
“Mas, de qualquer forma, esse estudo terá de apontar em que momento e em que condições o município poderá assumir a totalidade do serviço de saúde”, frisa.
Cuidado prolongado
Entre as propostas apresentadas na reunião está a construção de uma unidade de cuidados prolongados (UCP), anexa ao Hospital Manoel de Abreu, para a internação de pacientes que demandam tratamento de menor complexidade. A obra, no entanto, teria de ser acompanhada da reforma de toda a unidade, que funciona com baixa capacidade devido à sua estrutura defasada.
Apenas para a construção da UCP, o investimento é estimado em R$ 2 milhões e seria custeado pelo Estado.
“Ela serviria para receber pacientes que tiveram, por exemplo, um derrame cerebral. No período de recuperação, eles ocupam leitos hospitalares que poderiam ser usados para casos mais complexos. Assim, poderíamos reduzir o déficit de 250 leitos que temos atualmente”, ressalta o vereador Raul Gonçalves de Paula, que apresentou ao secretário adjunto Wilson Pollara dados estatísticos sobre a demanda de internações em Bauru.
Agilidade nas internações
Se concretizado, o início do processo para concentrar a gestão de toda a rede de saúde nas mãos do município deverá otimizar a oferta de vagas de internação, segundo destaca o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti.
Isso porque as tomadas de decisão passariam a partir de um único órgão, a prefeitura, que conhece a realidade do município melhor do que o Estado ou qualquer outra instituição que está fora da cidade.
“Na verdade, este caminho já é uma tendência no sistema de saúde. E esta mudança vai ser realizada de forma responsável entre Estado e prefeitura. Tivemos uma primeira reunião e, agora, vamos detalhar, fase a fase, como isso pode ser feito”, diz.
Reformas
O prefeito Rodrigo Agostinho salienta que não teria condições de assumir integralmente a gestão do Hospital de Base sem a reforma anunciada pelo Estado. Dentro das obras que precisariam ser executadas, o vereador Raul Gonçalves de Paula sugeriu a construção de uma enfermaria anexa, com o mesmo propósito de desafogar a demanda por leitos dentro do hospital. “Poderíamos atender algumas especialidades, retirando dos leitos de dentro do hospital os casos mais simples”, pontua. O vereador Paulo Eduardo de Souza destaca que os investimentos, se forem aprovados, seriam custeados pelo Estado, que informou ter recursos disponíveis para atender as necessidades de Bauru, caso o município conseguir comprová-las por meio de estudos.
“Ficou claro que há uma disposição muito grande do Estado e do município em resolver a questão. Estão todos trabalhando juntos, sob a perspectiva da população, para resolver o problema da falta de leitos”, reforça.