09 de julho de 2026
Regional

Falta de energia causa morte de 6.800 frangos

Lilian Grasiela
| Tempo de leitura: 3 min

Divulgação

A interrupção no serviço fez que os climatizadores fossem desligados e as aves morressem sufocadas

Em apenas dois dias, frequentes interrupções no fornecimento de energia elétrica provocaram a morte de 6.800 frangos num sítio localizado em Jacuba, distrito de Arealva (41 quilômetros de Bauru). Os produtores rurais Carlos Henrique e Sandra Minamoto, que vendem as aves para uma avícola de Itapuí, calculam que o prejuízo pode ter ultrapassado R$ 40 mil.

As quedas de energia tiveram início na madrugada da última sexta-feira e voltaram a ocorrer no sábado, domingo e segunda-feira. No total, de acordo com Sandra, foram cerca de 20 horas sem energia elétrica. Com climatizadores e equipamentos que levam automaticamente ração até os comedouros sem funcionar, os frangos acabaram morrendo de calor e fome.

Na segunda-feira, os produtores contabilizaram a perda de dois mil frangos com aproximadamente um mês de vida. Ontem, o número de aves mortas chegou a 6.800. “Com essa falta de energia, eles morreram sufocados”, diz Carlos. “Ontem (anteontem) foi o ápice da mortalidade”. Além das mortes, dois disjuntores também queimaram. Em contato com a CPFL, eles teriam sido orientados a aguardar o restabelecimento do serviço.

O prejuízo só com a morte dos frangos, segundo o produtor rural, chega a R$ 40 mil. “É um trabalho árduo, familiar. A gente toma sol, toma chuva”, declara emocionado. Já o cálculo dos danos na rede elétrica depende da avaliação de um eletricista. Com o orçamento em mãos, ele irá registrar boletim de ocorrência para tentar pedir o ressarcimento dos valores junto à CPFL.

“Eu estou tendo perdas, mas sei que, com o tempo, Deus vai me honrar lá na frente e vai me devolver tudo. Minha revolta é como consumidor. Por que eles deixam o consumidor na mão? Se eu ficar dois meses sem pagar a energia, eles vão cortar minha energia. E, pagando em dia, o que eles estão me dando em troca?”, questiona. “Mesmo sendo prestadores de serviço, eles não falam com clareza por que acontece isso frequentemente”.

Carlos explica que, há algum tempo, procurou a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para reclamar das constantes interrupções no fornecimento de energia elétrica. “A Aneel pediu para eu entrar em contato com a CPFL para pedir uma descrição da oscilação de energia e a CPFL se negou a me dar esse relatório. Eles me mandaram uma carta pedindo desculpas e falando que vai ter melhorias”, conta.


O outro lado

Em nota, a CPFL Paulista informou que, neste mês, a propriedade foi atingida por seis interrupções no fornecimento de energia elétrica, nos dias 4, 18 e 21, para execução de trabalhos de manutenção emergencial e poda de árvore que interferia na rede elétrica.

Segundo a Gerência de Serviços de Rede, a empresa entrará em contato com o cliente para prestar esclarecimentos e informar as medidas que envolvem o início de inspeção na rede rural para eventuais manutenções adicionais.

A distribuidora ressalta que cerca de dois terços do período em que o cliente da CPFL fica sem energia corresponde a interrupções emergenciais provocadas por fatores externos, como temporais, colisões de veículos contra postes e objetos que atingem a rede – pipas, balões e galhos de árvores, por exemplo.

“Queimadas e furtos de cabos são outros fatores que podem provocar tais desligamentos”, esclarece. “O outro terço corresponde a desligamentos programados, informados previamente aos clientes, e organizados para que a empresa possa executar obras de melhoria na rede elétrica, tornando-a cada vez mais confiável”.

A CPFL não respondeu os questionamentos referentes ao fornecimento do relatório solicitado pela Aneel ao produtor rural e aos procedimentos que os clientes devem adotar para solicitar o ressarcimento de eventuais prejuízos.