Morreu hoje Sylvio Carlos Simonetti, o Syca, sócio-proprietário da 94 FM. Ele faleceu às 12h30, no Hospital da Unimed, onde estava internado há 15 dias. A jornalista Rosana Poli não informou a doença, mas disse, no ar, que ele “lutava com grandeza” pela vida há seis anos (leia depoimentos dos amigos no final da reportagem).
|
Arquivo Jornal da Cidade |
|
|
|
Sylvio Carlos Simonetti, o Syca, tinha 74 anos |
Casado, deixa a esposa Bravanil Nascimento Simonetti, as três filhas Andrea, Fabiana e Claudia e sete netos . Deixa também a mãe, Maria Odília, de 95 anos.
Sylvio Carlos Simonetti era neto de João Simonetti, o pioneiro do rádio e da televisão bauruense e tinha suas raízes profissionais fincadas no rádio, onde começou no final dos 50, na PRG8 - 8 Bauru Rádio Clube e depois exerceu ainda a profissão nos tempos áureos da Rádio Auri-Verde, migrando para o rádio FM, com a 94 FM.
Ele se notabilizou também pela introdução dos plantões esportivos nas transmissões de jogos (de domingo a domingo).
Syca tinha 74 anos e deixou também os irmãos radialistas e sócios Paulo Sérgio Simonetti e João Simonetti Neto, o Netão.
O velório será no Centro Velatório Terra Branca, a partir das 18h de hoje, e o enterro às 11h de amanhã (24), no Cemitério do Jardim do Ipê.
Amigos falam de Syca
Erlinton Goulart, em seu site futebolbauru.com.br, sobre o que era o estilo Syca de noticiar: “Na Rádio Auri-Verde, a verdadeira Jovem Auri-Verde, ícone do moderno rádio de Bauru, nas décadas 1970/80, no último bloco de notícias do ‘Vanguardão’, original, se fazia anunciar, sob o tema musical ‘Un Homme et une Femme’, de Francis Lai, o ‘Homem-Notícia’. Do fundo do rádio, rompia a voz única, indefectível: ‘E atenção, eis a nota final: “O papa João Paulo I acaba de falecer no Vaticano. João Paulo I, de 65 anos, que nasceu Albino Luciani, na Itália, ostentou por exatos 33 dias a coroa papal...”. Era quinta-feira, 28 de setembro de 1978, com a notícia transtornando o bispado de Bauru.
Gerson de Souza, repórter: “E o tempo... o tempo segue bom, com nebulosidade variável. No elevado João Simonetti... bandeira azul nas piscinas...”. ”Esse bordão era tão importante para mim, essa frase é parte da história de Bauru, tanto que no documentário Bauruzão, eu e o cinegrafista Adauto Nascimento fizemos questão de deixar gravado isso”. O documentário está registrado na TV Câmara.
João Carlos de Almeida, o João Bidu: “Conheci o Syca jogando na várzea pelo Marabá e Internacional (ele foi goleiro). Nunca sonhei que um dia seria seu companheiro de trabalho. E foram nada menos que 30 anos de convivência diária, gostosa, proveitosa, alegre, pois ele, além de profissional competente e apaixonado pelo que fazia, era um grande cara: amigo, generoso, sempre incentivando os mais jovens. O redator, plantão esportivo, o Homem-Notícia, Syca trabalhava de domingo a domingo, chegando cedo à Auri-Verde e saindo no começo da noite. Tinha um pique invejável. E uma particularidade: embora datilografasse (batia à máquina, como a gente dizia naquele tempo) com extrema rapidez, só usava os dois dedos indicadores. Um fenômeno! Grande Syca, obrigado pelos 30 anos de amizade e camaradagem. Descanse em paz, meu velho!”.
Tobias Ferreira Filho, o Tuba: “Aprendi a admirar o Syca logo que cheguei na rádio (início dos anos 70). Ele era uma simpatia e, acima de tudo, formador de bons profissionais. A Maria Dalva Hatore era telefonista, trabalhava com o Flávio Pedroso e ele descobriu o talento dela. Lembro dele ensinando, incentivando. Fazia assim com todos os profissionais, descobriu inúmeros talentos, ele enxergava o potencial. Além disso era um grande amigo, simpático. Recordo-me até do casamento dele”.
Suzete Gobbi, ex-jogadora de basquete do BTC: “Para mim fica o amigo, o profissional amável que me acolheu desde a minha chegada de Penápolis. A força do basquete só cresceu com a divulgação que ele dava. A perda para nós já foi lá atrás quando ele parou as transmissões. Agora, só saudades”.
Luciano Dias Pires, jornalista, trabalhou com ele nos anos 50: “Quando ele começou o rádio era bem diferente de hoje. Mas ele conseguiu se destacar de forma especial, aprendendo e, ao mesmo tempo, sem imitar o avô, o pai, o tio, que trabalhavam também em rádio. Ele criou algo de seu, muito próprio, particular. apesar de ser seguidor da linha radiofônica da família. Uma perda irreparável”.
Walace Garroux Sampaio, presidente do Sindicato do Comércio, acompanhou desde a década de 70 a trajetória de Syca: “Foi um profissional de grande importância. É o homem da informação que ajudou a formar a opinião pública. Já nos faz muita falta”.