08 de julho de 2026
Geral

Aviões: descuido gera 34% de acidentes

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

João Rosan

Simpósio foi realizado ontem no auditório da Instituição Toledo de Ensino

Em comemoração ao Dia do Aviador, Bauru recebeu ontem pessoas de várias regiões do Estado para debater a questão de segurança nos voos e a fadiga de pilotos na aviação civil, tema cada vez mais preocupante para a comunidade aeronáutica do Estado. O tenente-coronel aviador Raul Moreira Neto revelou, durante o 1º Simpósio de Segurança Operacional na Aviação, que cerca de 34% dos acidentes com aeronaves no Brasil no ano passado foram provocados pela violação das normas de voo. “Um grande vilão na aviação hoje em dia é a falta de aderência às regras”, comenta.

Ele atribui o problema a fatores como a formação de pessoal, manutenção de aeronaves e operação em aeroportos. Conforme Moreira Neto, há gente desrespeitando condições meteorológicas. “Ocorre acidente com piloto não habilitado para voar em condições meteorológicas adversas e que perde controle da aeronave”, explica.

Há dois anos, o tenente-coronel aviador Raul Moreira Neto é chefe do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa-4), órgão subordinado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Força Aérea Brasileira (FAB).

O Seripa-4 é responsável pela investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos em São Paulo e no Mato Grosso do Sul.

Outro fator de risco é a fadiga do piloto, muitas vezes exposto a jornadas estafantes ou que negligencia o período de descanso mínimo retomando a atividade de piloto.

O capitão da PM Oscar Ferreira do Carmo, comandante da BRPA Ribeirão Preto, comenta casos de pilotos que voaram, foram para a diversão e voltaram direto para a cabine de uma aeronave.

Em sua palestra ontem, citou situações em que o piloto prolonga sua jornada de trabalho pondo em risco sua performance de voo. Conforme Carmo, há estudo demonstrando a jornada de 8 horas de voo como a ideal por oferecer menor risco de acidentes do que um período de 12 horas.

“O fator econômico nos faz trabalhar mais. A pessoa tem dois, três empregos. E exige-se uma performance muito maior, que vai repercutir no desempenho, no estado de alerta e na tomada de decisão”, finaliza.

O simpósio foi realizado na Instituição Toledo de Ensino (ITE). Ontem, no Dia do Aviador, a inauguração do Aeroporto Moussa Tobias completou sete anos.