09 de julho de 2026
Polícia

Homem é baleado durante prisão de acusado de tráfico

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Reprodução

Família acusa policiais de excesso

O vendedor Luís Vinícius Olímpio da Silva, 24 anos, foi ferido na perna por um disparo efetuado por um policial civil durante um tumulto gerado pela prisão de dois suspeitos de tráfico anteontem à noite, no Parque Jaraguá.

Segundo familiares de Luís, o jovem será submetido a uma segunda cirurgia para a retirada de um projétil alojada em sua panturrilha esquerda provavelmente na segunda-feira, dia 28, no Hospital de Base, onde está internado. O tumulto ocorreu por volta das 22h em um posto de gasolina localizado na rua São Sebastião, no Parque Jaraguá.

Luís da Silva é acusado pela polícia de desobediência, resistência e favorecimento pessoal. Ele será ouvido quando se recuperar do ferimento.

Na ocasião, foi preso em flagrante o pintor Everton Barbosa Ferreira, 26 anos, acusado de tráfico de entorpecentes, associação para o tráfico, desobediência, resistência e lesão corporal.

Um terceiro suspeito que fugiu durante a confusão também teria envolvimento com o tráfico no posto de combustíveis.

No boletim de ocorrência (BO), consta a lesão corporal sofrida por Luís da Silva e que será alvo de um procedimento de avaliação da conduta dos policiais civis pela Corregedoria da Polícia Civil.

Foram apreendidos a pistola Taurus calibre 40 do policial civil que efetuou o disparo no acusado Luís da Silva e um carregador. A Polícia Civil também apreendeu 3,63 gramas de cocaína acondicionadas em quatro microtubos plásticos – pinos – que seriam relacionados ao acusado que foi preso.

O delegado da Central de Polícia Judiciária (CPJ), Ricardo Dias, responsável pela Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise), comenta que Everton é alvo de investigação.

Com informações de que ele receberia uma remessa de drogas anteontem à noite, seis policiais da CPJ monitoraram o local, um posto de revenda de combustíveis.

Em determinado momento, os policiais civis detiveram Everton e um outro acusado, e localizaram uma pequena quantidade de droga. O delegado, que comandou a ação policial, esclarece que Everton teria ferido um policial na região da testa com um soco desferido com a mão que estava com a algema. “Durante a abordagem outras pessoas se aglomeraram de uma favela ali próxima e tentaram nos acuar”, salienta.

Dias esclarece que foi solicitado para que as pessoas recuassem. “Eles continuaram e tentaram arrebatar o preso”, pontua. Conforme o delegado, nesse momento, um policial civil efetuou um disparo de advertência para o alto para que os populares se afastassem.

O delegado explica que Luís da Silva tentou investir contra um policial. “O policial, no sentido de defender a equipe e preservar a integridade física, efetuou um disparo na direção de uma área não letal, na perna. Foi o que nos salvou lá”, avalia Dias.

O delegado acrescenta que a reação dos populares seria uma tentativa de intimidar a ação policial. “Isso não vai acontecer. Vamos continuar agindo sempre dentro da lei com relação a prisões legais. Ele (Everton) estava preso em flagrante”, ressalta Dias.  O delegado explica que ficou claro que Everton era o gerente do ponto de tráfico, enquanto que outro homem, que acabou fugindo na confusão, era seu auxiliar passando aos compradores as porções de droga.

Ainda segundo Dias, não foi possível confirmar com precisão a identidade do homem que fugiu porque os dois acusados não portavam documentos. Com o tumulto foi solicitado reforço da Polícia Militar (PM) e de demais equipes da CPJ. Os policiais civis acionaram uma ambulância do Samu para socorrer Luís da Silva.


Excesso?

A mãe de Luís da Silva, M.E.O. (solicitou para ser identificada somente pelas iniciais), diz que houve excesso por parte dos policiais civis. Ela admite, porém, não ter visto o exato momento do disparo que atingiu seu filho.

A mulher alega que chegava ao local no momento que ouviu os disparos e se escondeu atrás de um poste. “Nisso vem um pessoal correndo e gritando: ‘Eles atiraram no Costela (apelido de Luís da Silva)’”, relata. De acordo com a mãe de Luís, os policiais civis também teriam agido com excesso ao seu questionamento da motivação para o disparo em seu filho. “Na hora que eles atiraram para cima, todo mundo correu. Quem que vai ficar? Ele pegou e atirou na perna do meu filho”, ressalta.