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Fotos/Malavolta Jr. |
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Prisão preventiva de José da Silva por tentativa de homicídio foi decretada ontem à tarde |
“Estávamos brigando e ela xingou a minha mãe”. Foi esse o motivo que José da Silva, 32 anos, deu ontem ao confessar que ateou fogo em sua companheira no Fortunato Rocha Lima, em Bauru.
O pedreiro foi preso e contou que estava sob efeito de álcool e crack quando jogou combustível na mulher e a queimou, na última segunda-feira. A vítima, uma assistente social de 25 anos, segue internada no Hospital Estadual (HE).
Conforme o JC divulgou, o crime ocorreu na residência do casal, que fica na quadra 6 da rua Benedito Daniel. A mulher foi socorrida pela Unidade Resgate (UR) do Corpo de Bombeiros e levada ao Pronto-Socorro Central (PSC). Na unidade hospitalar, ela, que teve 10% do corpo queimado, relatou à Polícia Militar (PM) que seu companheiro foi o autor do crime.
Como a vítima somente divulgou a alcunha do homem, que não havia mais sido visto após o crime, a Polícia Civil começou um trabalho para identificá-lo.
Na madrugada de ontem, em patrulhamento de rotina, a PM localizou José da Silva, vulgo Alemão, de volta na casa onde o crime ocorreu.
Sem apresentar resistência, ele foi levado para a Central de Polícia Judiciária (CPJ), onde confessou realmente ter sido o autor da ação. “Nós já o havíamos identificado e solicitamos a prisão temporária dele para a Justiça ontem (anteontem). Porém, o pedido havia sido negado”, explica a delegada Priscila Bianchini, titular da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da CPJ.
Ontem, após a localização e confissão de José da Silva, porém, a delegada fez a solicitação pela prisão preventiva, que foi finalmente acatada pela Justiça. “Além do risco de ele fugir, há também a questão do perigo para a ordem pública”, justifica.
Ainda durante a tarde de ontem, o pedreiro foi conduzido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru. Inicialmente, o caso foi registrado como violência doméstica e lesão corporal, entretanto, após analisar as circunstâncias, o inquérito foi mudado para tentativa de homicídio.
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Ele alegou que companheira teria xingado sua mãe e agiu sob efeito de entorpecente |
Álcool e crack
A reportagem do JC estava conversando com José da Silva no momento exato em que os investigadores chegaram com a notícia de que a prisão preventiva havia sido decretada pela Justiça. “Agora eu vou pagar pelo que eu fiz, né?”, disse o pedreiro, com a cabeça baixa.
Ao confessar o crime, ele relatou que estava sob o efeito de drogas e álcool. “Eu uso crack. Comecei a usar há poucos meses. No dia, estava bebendo desde as 15h e usando crack. Começamos a brigar por causa de ciúme. Aí deu no que deu”, relatou.
Antes dessa tentativa de homicídio, José da Silva já tinha uma passagem pela polícia por um assalto cometido em 2000.
A vítima
A assistente social segue internada na Unidade de Tratamento de Queimaduras (UTQ) do HE. De acordo com informações da assessoria de comunicação da instituição, seu estado ainda é considerado estável.
As queimaduras de segundo grau atingiram a área compreendida entre o pescoço e o joelho da vítima.
‘Ela xingou minha mãe de rapariga’
Um relacionamento amoroso que começou no dia 12 de agosto deste ano e terminou em um crime bárbaro. Será que é possível existir algum sentimento por parte do acusado? Além de contar o que ocorreu, José da Silva disse ao JC que, apesar de ter colocado fogo na companheira, “ainda gosta demais dela”.
JC - Como tudo ocorreu?
José da Silva - Nós estávamos bebendo e começamos a brigar por causa de ciúme mesmo. Foi quando eu fiz o que fiz. Eu uso crack e estava drogado quando fiz aquilo.
JC - E você ateou fogo nela mesmo?
JS - Ela xingou minha mãe de rapariga. Ela xingou minha mãe e eu fiz o que fiz.
JC - Vocês se conheciam da onde?
JS - Nós nos conhecíamos do Fortunato mesmo. Começamos a namorar e fomos morar juntos naquela casinha, que era alugada.
JC - Você é de Bauru?
JS - Eu vim do Ceará há 16 anos. Vim morar aqui em Bauru.
JC - E o que teria a dizer para a sua companheira?
JS - Que eu gosto muito dela. Apesar do que eu fiz, eu gosto demais dela. Estou arrependido. Agora, é pagar pelo que eu fiz, né?