Ao lado do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do prefeito da Capital paulista, Fernando Haddad (PT), a presidente Dilma Rousseff criticou ontem os governos federais que antecederam o PT pela falta de investimentos em transporte público e apontou a existência de um “deficit histórico” no setor.
“Nos anos de 1980 e 1990 era considerado inadequado fazer metrô, dado o custo elevado de investimento. Essa inadequação estava ligada também ao fato de o Brasil passar por um momento muito difícil, que durou muito tempo”, afirmou Dilma durante anúncio de verba federal para mobilidade urbana em São Paulo.
“A gente tinha de pedir autorização ao FMI (para investir). Por isso foi tão bom, não é governador, a gente ter pagado a dívida com o FMI (Fundo Monetário Internacional), que não supervisiona mais as nossas contas”, disse a presidente. No período mencionado por Dilma, o país foi governado, entre outros, pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002).
Em seu discurso, Alckmin cobrou investimentos da União para a expansão da malha metroferroviária do Estado. “Os grandes metrôs do mundo, todos eles tiveram recursos do governo federal”, afirmou.
Investimento
Ontem, Dilma e Alckmin anunciaram R$ 5,4 bilhões em recursos do governo federal, do PAC da Mobilidade (veja quadro), para a expansão da linha 2-verde do metrô, no trecho Vila Prudente-Vila Formosa, expansão da linha 9-Esmeralda da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), do Grajaú até o Jardim Varginha, a implantação da linha 13-Jade até o aeroporto de Guarulhos e a reforma de 19 estações da CPTM.
Do total, R$ 4,1 bilhões são em financiamento - parte dele do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) - e R$ 1,3 bilhão do Orçamento da União. Os recursos fazem parte do pacote de mobilidade anunciado pelo governo federal após os protestos que tomaram o País em junho.
“Os movimentos de junho não foram apenas pelos 20 centavos. Foram por mais direitos. Por isso, respondemos com a proposta dos cinco pactos. Um deles é da Mobilidade Urbana”, escreveu Dilma no Twitter, antes do anúncio.
À época, o governador Alckmin anunciou que pediria recursos para três projetos: construção de um trecho do corredor de ônibus noroeste da região metropolitana de Campinas, com um custo de R$ 380 milhões, reforma de 30 estações da CPTM - obras de R$ 1,2 bilhão- e a extensão da linha 5-Lilás do metrô, com um custo estimado em R$ 2 bilhões.