A maioria das agressões feitas contra a imprensa desde junho deste ano, quando começou a onda de manifestações pelo país, partiu da polícia, segundo levantamento da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).
A instituição contabilizou 102 casos de agressão a repórteres e fotógrafos de junho até hoje em todo o Brasil. Segundo o diretor da Abraji Guilherme Alpendre, a maior parte dos ataques (77) foram feitos pela polícia. Em 25 dos casos a violência partiu de manifestantes.
Os dados sobre violência contra a imprensa foram revelados durante coletiva hoje. Antes de uma manifestação organizada por entidades da categoria, realizado na praça Roosevelt, centro de São Paulo, para protestar contra as agressões a profissionais da área. Cerca de 30 jornalistas ligados a entidades da categoria participaram do ato.
Dois desses casos foram revelados durante a coletiva de imprensa e se referem às agressões contra os fotógrafos Gabriela Biló, da agência Futurapress, e Mauro Donato, do site Diário do Centro do Mundo. Eles dizem que foram atacados pela polícia durante a cobertura do protesto contra o leilão do campo de Libra do pré-sal, na semana passada.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Guto Camargo, reconheceu que a ameaça não parte apenas de policiais, mas evitou fazer críticas à violência dos manifestantes contra a imprensa. "Se a maioria das agressões parte da polícia, nós temos que nos proteger primeiro da polícia."
"Desde a ditadura não acontecem tantos atos contra jornalistas. A agressão pelo Estado não pode ser tolerada porque é obrigação dele proteger o trabalho do jornalista", completou.
Também presentes no evento, Adriano Lima, profissional ferido na manifestação da semana passada, e Esdras Martins, secretário da Arfoc (Associação dos Repórteres Fotográficos de São Paulo), defenderam uma melhor identificação dos membros da imprensa durante as manifestações e a realização de treinamentos para jornalistas e policiais. Lima já participou de uma reunião com o comando da PM paulista para discutir essas questões. O próximo encontro está marcado para o dia 5 de novembro.
O grupo pretendia marchar da praça Roosevelt até a Secretaria de Segurança Pública do Estado, também no centro da capital paulista, para entregar um documento em protesto às agressões policiais contra a imprensa. Contudo, os manifestantes desistiram ao descobrir que não haveria servidores no local por causa do feriado do Dia do Funcionário Público.
Outro lado
Procurada pela reportagem na noite de hoje, a PM não respondeu até o momento.