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Fotos/Aceituno Jr. |
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Desde quinta sem água no Pousada 1, a dona de casa Ana de Figueiredo Lima, 58 anos, já convive com uma montanha de louças |
Ana, Glaucia e Maria Aparecida vivem um drama em comum. Há dias, as três mulheres precisam lutar contra a falta d’água. Um dos problemas crônicos de Bauru voltou a aparecer para dar dor de cabeça a moradores de diversos bairros. Transtorno que vai desde louças e roupas sujas até a dificuldade em dar conforto a pessoas acamadas.
A dona de casa Ana de Figueiredo Lima, 58 anos, mora na quadra 5 da rua Alberto Del Masso, no Pousada da Esperança 1. Ela conta que falta água desde a última quinta-feira. “Estamos sem água até para beber”, diz, em frente a um monte de louças sujas.
A situação é pior por conta de sua mãe. Vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), a mulher de 85 anos está acamada desde 2008. “Imagine a situação. Tivemos que dar banho nela de canequinha. É uma sensação de derrota mesmo”, lamenta a dona de casa.
Ela reclama ainda que, ontem, passou um caminhão-pipa do DAE pelo bairro. “Eu pedi para eles voltarem e eles disseram que iriam voltar mais tarde. Agora, são quase 18h e ele ainda não voltou”.
No mesmo bairro, vive a vigilante Glaucia Cristina Pavon, 38 anos. Ela mora na quadra 5 da rua Sargento Carlos José Tomas e faz coro à outra reclamante. “Desde quinta-feira estamos sem água. Vem e acaba. Vem e acaba”.
A duas quadras dali, mora sua irmã. Glaucia conta que lá, onde vivem cinco pessoas, ontem foi um dia de seca total. “Minha irmã foi reclamar e sabe o que disseram para ela? Disseram que no Nordeste fica sem água por anos”, diz, indignada. Na casa, a pilha de roupas sujas já se acumula há dias.
Outras reclamações chegaram ao JC de vários outros bairros ontem. Entre os moradores inconformados com a falta d’água, estavam aqueles que residem no Santa Edwirges e no Parque Vista Alegre.
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A vigilante Glaucia Cristina Pavon, 38 anos, mostra a pilha de roupas sujas que se acumula há dias |
Seca no Colina
Abrir as torneiras em vão é também uma realidade vivia há três dias por moradores de um condomínio na quadra 1 da rua Mário dos Reis Pereira, no bairro Colina Verde.
No local, que possui cerca de 200 apartamentos, a água não tem força para subir até as moradias. “Temos que descer e pegar tudo lá embaixo. É um transtorno enorme. Hoje (ontem), não veio uma gota sequer”, disse a encarregada de limpeza Maria Aparecida Silva, 56 anos.
Ela conta que, sem água desde domingo, a limpeza da casa se tornou impossível. “Não tem água para lavar louça. As descargas não funcionam. Temos que pegar água lá embaixo e subir carregando até o quarto andar. Não dá para ficar assim”, completa a moradora.
O outro lado
Por meio da assessoria de comunicação, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) argumentou que os problemas nos bairros citados pela reportagem são decorrentes da quebra de uma bomba de recalque no poço da zona norte, que envia água para o reservatório da Vila São Paulo.
A autarquia aponta que o defeito foi detectado por volta das 10h de ontem e, após a troca de componentes, o reparo foi concluído às 15h. A expectativa era que o abastecimento já fosse normalizado ainda na noite de ontem.
Já em relação ao Pousada da Esperança, os moradores vão precisar ter um pouco mais do sentimento que batiza o bairro. Lá, para amenizar o problema, o DAE afirma que é preciso entrar em funcionamento o poço Roosevelt 3. O cronograma previsto para o início das operações é o fim do próximo mês.