11 de julho de 2026
Nacional

Morte de outro jovem por um PM causa novos protestos na zona norte

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Ontem foi o terceiro dia seguido de protestos na região do Parque Novo Mundo, na zona norte de São Paulo, após um adolescente de 17 anos ser morto a tiros por um policial militar de folga.

Um ônibus foi interceptado e depredado na rodovia Presidente Dutra, uma linha parou de operar e duas mudaram seus trajetos, ruas foram bloqueadas e lojas fecharam as portas.

Os protestos dos dias anteriores se concentraram na rodovia Fernão Dias e na região dos bairros vizinhos da Vila Medeiros e Jardim Brasil. Eles se deram após a morte do estudante Douglas Martins Rodrigues, 17 anos, na rua Bacurizinho, no Jardim Brasil.

Douglas foi baleado no peito por um PM de serviço, que disse ter disparado de forma acidental. O policial foi preso em flagrante sob a suspeita de homicídio culposo (sem intenção de matar).

O caso de ontem ocorreu na rua Tenente Amaro Felicíssimo da Silveira, a 5 km do local da morte de Rodrigues. Lá, diz a PM, o soldado Pedro Henrique dos Santos da Silva, 27 anos, reagiu a um roubo e matou o estudante Jean Silva Nascimento, 17 anos.

O soldado disse à polícia que entrou na favela Bela Vista após se perder, guiando-se pelo GPS do carro, a caminho do trabalho, por volta das 5h50 da de ontem. Segundo a PM, ao manobrar o carro para retornar, o policial foi abordado por criminosos que anunciaram um assalto.

Segundo a corporação, o PM tentou fugir, mas o adolescente de 17 anos, armado com um revólver calibre 32, disparou três vezes contra o veículo, atingindo o pára-brisa e saindo pela coluna da porta esquerda.

O soldado então revidou com seis disparos, atingindo o menor, que morreu no local. Os outros criminosos fugiram.

A PM diz que apreendeu com o adolescente um revólver 32 de numeração raspada, usada no crime. Ninguém testemunhou o caso, segundo a polícia.


Manifestações

Com a morte de Jean, a manhã e parte da tarde registraram uma série de manifestações, na rua em que o adolescente foi baleado e arredores.

A maior parte consistiu no bloqueio de vias com sofás e outros objetos queimados.

À tarde, quando o protesto reunia cem pessoas, segundo a PM, a corporação usou o helicóptero Águia e policiais da Rondas Ostenstivas Tobias de Aguiar (Rota) para dispersar os manifestantes.

Moradores alegam que a repressão da polícia foi violenta e que alguns deles foram retirados de casa pelos policiais. Ao menos duas pessoas foram feridas com balas de borracha.