A endividada petroleira OGX, do empresário Eike Batista, entrou ontem com o maior pedido de recuperação judicial da história corporativa da América Latina, em um passo que já era esperado para tentar evitar a falência.
O pedido de recuperação - feito na 4.ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro - tornou-se a única alternativa para a companhia depois que fracassaram as negociações com detentores de US$ 3,6 bilhões em bônus no Exterior para uma reestruturação da dívida.
A petroleira declarou dívida consolidada de US$ 11,2 bilhões no pedido de recuperação judicial e disse que não tem qualquer endividamento bancário nem créditos com garantias reais, segundo documento obtido pela reportagem.
Repercussão no Exterior
O pedido de recuperação judicial da petroleira OGX foi destaque ontem nos dois maiores jornais dos EUA, onde estão alguns dos credores estrangeiros da empresa. O “The New York Times” tem uma ampla reportagem sobre a história em sua página na Internet, destacando que é o maior pedido do tipo já feito na América Latina. O “The Wall Street Journal” (WSJ) cita o interesse da companhia de buscar uma reestruturação de suas finanças e ressalta que a companhia levantou “bilhões de dólares” nos últimos sete anos no mercado para explorar petróleo e gás e não teve o sucesso esperado.
A novela das empresas X também foi destaque na primeira página do jornal britânico “Financial Times” ontem. Com o título “Magnata Batista luta para evitar maior calote da América Latina”, a reportagem diz que a “a dramática queda em desgraça do magnata brasileiro Eike Batista entrou em sua fase final anteontem e a petroleira OGX se aproxima do que poderia ser a maior quebra empresarial da América Latina”.
Condição das outras cinco empresas do grupo EBX
MPX Energia SA
A alemã E.ON SE assumiu o controle da geradora de energia MPX Energia em março, triplicando sua participação com um investimento de cerca de US$ 1 bilhão. O nome da companhia foi mudado para Eneva SA em setembro.
Em julho, Eike Batista deixou a presidência do Conselho da empresa de energia depois de reduzir sua participação à metade, para 27% neste ano. Eike pode vender sua fatia remanescente, disse a companhia em comunicado divulgado em setembro.
A E.ON é a maior acionista da Eneva, com 38% do total.
LLX Logística SA
Eike Batista cedeu o controle da operadora portuária LLX para o grupo de investimentos EIG Global Energy Partners LLC em agosto, em negócio de US$ 559 milhões. O empresário deixou o cargo de presidente do Conselho da LLX.
A fatia de Eike Batista, antes controlador, caiu para 21% na LLX, cujo principal projeto, o Porto de Açu, é considerado o maior investimento da América Latina em infraestrutura portuária.
MMX Mineração e Metálicos SA
A companhia de mineração MMX vendeu o controle de um importante porto de minério para a empresa holandesa Trafigura Beheer BV e o fundo soberano Mubadala Development, baseado em Abu Dhabi, por quase US$ 1 bilhão em outubro.
No negócio, Trafigura e o Mubadala, maior credor individual de Eike Batista, ficaram com uma fatia de 65% do Porto Sudeste da MMX, ainda em construção e previsto para funcionar em meados de 2014.
A chinesa Wuhan Iron and Steel Co, também conhecida como Wisco, e a coreana SK Networks, unidade da SK Holdings Co, possuem fatias minoritárias na MMX.
OSX Brasil SA
A construtora naval OSX está trabalhando para refinanciar suas dívidas na tentativa de evitar um pedido de recuperação judicial. A OSX informou na segunda-feira que não tem planos de fazer o pedido por proteção “no momento”.
Em maio, a OSX reprojetou da construção de estaleiro em Açu, antes desenhado para ser o maior do Hemisfério Sul. Neste mês, a construtora naval, na qual a coreana Hyundai Heavy Industries Co Ltd possui fatia de 10%, disse que pode considerar diversas opções, incluindo uma fusão com rivais, mas não elaborou.
CCX Carvão da Colombia SA
A mineradora de carvão CCX informou ontem que está entrando na etapa final de conversações para vender cerca de US$ 450 milhões em ativos na Colômbia para o grupo turco Yildirim Holding Inc.
As companhias esperam finalizar a venda das minas abertas Cañaverales e Papayal até o final de dezembro, em negócio avaliado em US$ 50 milhões. As conversações para vender a mina subterrânea San Juan associada à infraestrutura ferroviária e portuária, avaliada em US$ 400 milhões, devem ser concluídas até o final de abril de 2014.