Praia, mar, sol e inspiração. Duas recentes viagens de férias resultaram em “Disco”, o novo trabalho de Arnaldo Antunes recheado de músicas inéditas e lançado este mês em todo o Brasil.
Produzido por Betão Aguiar e Gabriel Leite e com arranjos de cordas, metais e madeiras de Ruriá Duprat, “Disco” foi gravado entre março e agosto e traz 14 músicas inéditas com diferentes formações. Entre as participações estão músicos que acompanham Arnaldo há muitos anos, como Edgard Scandurra e Chico Salem (guitarras), Betão Aguiar (baixo), Curumin (bateria) e Marcelo Jeneci (teclados e sanfona), entre outros.
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Fernando Laszlo/divulgação |
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Músico apresenta seu 13º CD solo, trabalho em que apresenta 14 músicas inéditas |
Em nova turnê depois do sucesso das apresentações com os trabalhos “Ao Vivo Lá em Casa” (2011), “A Curva da Cintura” (2011) e “Acústico MTV” (2012), Arnaldo conta detalhes da produção do “Disco” ao JC. O show de estreia aconteceu no último dia 13, em Salvador. Shows em Bauru? Talvez. Confira trechos da entrevista onde ele revela detalhes da produção do novo trabalho:
JC – As novas composições tiveram inspiração especial?
Arnaldo – Férias (risos). Eu fiz duas viagens nas férias, e a inspiração foi a natureza e o mar. Não que as músicas falem disso, mas as férias são sempre um período propício para compor. Fui para Ilha Grande e, depois, viajei com a família para uma praia no Uruguai, onde compus várias canções como “Oxalá Chegar”, “Ah, mas assim vai ser difícil”... Na verdade, eu nem pretendia lançar disco este ano, eu pretendia gravar só no ano que vem. Mas me entusiasmei tanto com essa safra de novas músicas que nasceram que acabei decidindo entrar em estúdio logo.
JC - Qual foi o período de produção de “Disco”?
Arnaldo – Fiquei animado com as composições, mas também não queria parar com o acústico, porque a turnê estava indo muito bem. Fui gravando em um espaço de tempo mais largo, nos intervalos entre os shows... Eu estou desde março fazendo este disco. E por conta deste processo de gravação em período maior, eu tive o desejo de ir mostrando algumas coisas na rede enquanto estava no processo de gravação. Coloquei quatro músicas na Internet, uma por mês, desde junho.
JC – Qual foi o resultado da experiência?
Arnaldo – Foi uma coisa nova até como processo de gravação. A gente foi fazendo todas as fases para cada música e finalizando para poder ir postando uma a uma. Foi algo muito legal, porque ao mesmo tempo em que eu gravava, eu já tinha o retorno do público. Eu fiz isso não só pela brincadeira evidente: Você já ouviu o disco do Arnaldo? Que disco? O Disco! (risos), mas também para jogar a reflexão sobre o que é um disco nesses tempos de música virtual, em que cresce o consumo de canções soltas dos álbuns, numa volta dos singles, ou dos antigos compactos.
JC - E o que é um disco atualmente?
Arnaldo – Tenho o desejo de afirmar a importância do disco como algo que caracteriza uma fase da obra de um artista. As canções se relacionam, conceitos temáticos ou sonoros se revelam, a ordem das músicas faz sentido, conta uma história... Paradoxalmente, aproveitei a liberdade de veicular faixas esparsas, independentemente, a cada mês. Isso para confundir um pouco mais essas noções sobre o nosso convívio com a música, que a Internet vem transformando tanto.
JC – As fotos de divulgação do trabalho foram criadas em cenário onde o branco predomina. Há algum significado especial?
Arnaldo – Não há um sentido especial para isso, apesar de ter a ver com Oxalá Chegar (risos). Mas eu tive essa ideia de fotografar de pijama e pensei nessa coisa da cama, quarto branco e luz da janela, um ambiente bonito. Entretanto, o pijama tem relação com essa coisa de compartilhar, assim com eu fui mostrando o disco em seu processo, que é uma forma de compartilhar uma intimidade, a ideia do pijama é quase uma extensão dessa intimidade. Inclusive o figurino do show é pijama também. A estreia foi em Salvador e foi muito legal. Estou super animado com a nova turnê.
JC - Há previsão de a turnê passar por Bauru?
Arnaldo – Ainda não há previsão para o Interior de São Paulo, mas espero que isso aconteça logo. Gosto muito de Bauru e tenho boas lembranças dos shows por aí, desde a época dos Titãs até a carreira solo.
JC - Todas as letras de o “Disco” têm a sua assinatura, menos “Mamma”, de Gilberto Gil. Por que a escolha de tal música?
Arnaldo – Eu sou apaixonado por esse disco de Gil desde sempre, e dessa música, de modo especial. Não sei, não foi uma escolha. Na verdade, um verso foi puxando a versão toda. Eu não tenho uma música preferida neste novo trabalho. É um disco bem diversificado e eu quis que fosse assim, com contrastes. Uma parte foi gravada no Rio de Janeiro, com canções mais serenas, como “Morro Amor”, “Mamma”, “Azul Vazio”... E também há músicas que eu quis gravar de maneira mais pesada, em São Paulo, com banda, bateria e tal. As duas partes se completam.
Serviço
O preço médio da venda de “Disco” é R$ 24,90. Mais informações sobre o artista em www.arnaldoantunes.com.br.