09 de julho de 2026
Geral

Sociedade Hípica de Bauru completa 60 anos neste mês

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 6 min

Arquivo pessoal

A tradição do hipismo está sendo consolidada na Sociedade Hípica com a competitividade de Patrícia Janson Franciscato

Um grupo de sócios do antigo Automóvel Club de Bauru se reuniu para discutir como fazer do hipismo uma atividade mais organizada. Apaixonados por competições a cavalo, os bauruenses que se organizaram em 1953 encontraram em Plínio Ferraz a receptividade para transformar vontade em ação. No dia 29 de novembro daquele ano nascia, então, a Sociedade Hípica de Bauru.

O clube que completa, portanto, seis décadas de funcionamento no final deste mês se instalou na região do Jardim Ouro Verde, que naqueles tempos era zona rural. A Hípica nasceu na Fazenda São José, por doação de Plínio Ferraz. Até hoje o sobrenome da família é detentor de glebas nesta área de influência, onde o clube social mantém atividades.

“Cada pessoa que comprava um título da Hípica ganhava um lote nas glebas do Ferraz. O grupo que formou o clube gostava muito de hipismo e queria avançar na prática do esporte aqui na cidade. Desta comunhão de vontades se instalou o clube em uma área de 72 mil metros quadrados. O grupo tinha umas 15 pessoas na origem. O complexo da sede social conta com 70 mil metros quadrados de instalações atualmente”, relembra o atual presidente da sociedade, Clóvis Simão.

Ex-presidente e presente nas últimas diretorias da sociedade por seguidas gestões, José Roberto Toloi conta que o hipismo já era forte naquele tempo através da Hípica. “Os registros dão conta de participações em campeonatos com equipes fortes, que tinham entre seus integrantes nomes como os irmãos Dalcoletto, Hudson e Hugo e, claro, o Marcos Ferraz, que nos deixou recentemente, filho do Plínio, o doador da gleba que originou a sociedade. Muitos campeonatos vieram desses nomes em vários anos de competição”, acrescenta.

 

Clube social

Simão recorda que o clube foi consolidando sua existência a partir de um grupo fechado. “Por isso é que desde os primeiros estatutos há previsão de um grupo limitado de sócios. O limite fixado em tempos áureos era de 450 integrantes. Atualmente, a sociedade se abriu a diferentes segmentos, mas na origem o objetivo mais direto de alavancar o hipismo foi perseguido pelas direções da oportunidade”, cita.

José Roberto faz uma conexão com o presente no hipismo, a marca de origem da sociedade. “O bom é que a atividade social que originou o clube, o hipismo, conseguiu manter seus representantes e nesta fase, exatamente no período em que o clube completa 60 anos, temos representação forte no setor. O Júnior Franciscato conseguiu incentivar a atuação do hipismo em mais de uma geração. Ele mesmo já participou aqui de sua geração e agora apoia o hipismo e tem na campeã e filha Patrícia Janson Franciscato o elo com a essência do clube. São campeonatos do Paulista e do Brasileiro que só são conquistados com planejamento, apoio e muita dedicação a esse esporte”, menciona o ex-presidente ao apontar para fotos dessa história.

Clóvis Simão também recorda de personagens com longa relação de serviços dedicados ao clube. “A dona Neguita trabalhou como zeladora por praticamente a metade desses 60 anos no clube. Isso é uma história de dedicação que marca a trajetória da sociedade. Hoje não é fácil manter o clube com estrutura e em condições de funcionamento com equilíbrio nas contas, mas nós conseguimos sanear”, aborda Simão.

Ele e Toloi salientam que todas as dívidas foram saneadas. “O clube não deve um tostão sequer, e isso foi perseguido por alguns anos para que fosse possível encontrar o equilíbrio para funcionar como uma opção de lazer e um espaço social com condições financeiras”, conta.

Também frequentador assíduo da Sociedade Hípica e ex-presidente, José Augusto Vieira Ranieri destaca a dificuldade na sobrevivência operacional e financeira. “Todos os clubes enfrentam dificuldades com manutenção de sócios e sua própria sobrevivência. As pessoas frequentam menos o clube do que há anos. Vários clubes em Bauru não conseguiram manter suas portas abertas. A redução no número de sócios é realidade e com ela a necessidade de adequação na gestão para esse patamar, o que vem sendo feito muito bem pelo Clóvis Simão”, assegura.

Manter um clube social exige, assim, gestão responsável. “Quem for muito aventureiro não vai longe. É preciso ter os pés no chão com os projetos, ver se são viáveis, porque depois que perder a mão e tirar o equilíbrio do caixa do trilho é muito difícil recuperar”, opina. O saudosismo em relação ao grupo de amigos que frequenta por anos seguidos o clube é citado por Ranieri. “A Hípica tem um aconchego, uma atmosfera de convivência e de ambiente que é própria dela. A relação com amigos antigos marca muito”, finaliza.

 

Serviço

No próximo dia 22 de novembro, às 21h, a Sociedade Hípica realiza o baile com jantar em comemoração aos 60 anos, com animação da Orquestra Sul América.

Informações pelo (14) 3236-1255.

 

Hipismo e projetos sociais

Com o fortalecimento do hipismo a partir do projeto desenvolvido por Júnior Franciscato, a Sociedade Hípica também conseguiu consolidar parcerias com projetos sociais. “Não temos nenhuma subvenção da Prefeitura de Bauru, apesar do alcance e da dimensão de nossos projetos sociais, onde toda a estrutura física e de funcionamento dos equipamentos instalados são fornecidos pelo clube”, lembra Simão.

Aliada à tradição do hipismo, acrescenta o atual presidente, a Hípica agregou relação com a sociedade através do projeto de natação desenvolvido pela Associação Bauruense de Desportos Aquáticos (ABDA). “A participação no futebol e na natação atinge 2.000 crianças, no projeto realizado com a ABDA. Não há recurso público envolvido nessas ações sociais, embora a gente tenha buscado esse apoio junto à Prefeitura”, indica.

No futebol, a programação também caminha bem. Aliás, José Roberto Totoi lembra com humor de um time “imbatível”. “Nós ficamos mais de 100 jogos sem perder. E diziam que isso acontecia porque os jogos eram na Hípica, de preferência e lá o juiz Eliseo dava uma forcinha. Mas a equipe interna era boa mesmo, sólida”, conta Toloi, zagueiro do escrete da Hípica por anos.

A recreação entre mais velhos no formato futvôlei, com o uso de uma rede de tênis de quadra e a prática da “modalidade” com os pés, já foi disputadíssima. “Tinha sábado em que o futvôlei formava quatro times e era preciso esperar para jogar. Mas o pessoal já bem adulto ficou mais velho, afinal o clube completou 60 anos, e a prática foi dizimada por falta de quórum por tempo de RG”, brinca Simão.  

Ele reforça o projeto com a Apae. “Nós instalamos a equoterapia como ação social e de recuperação de pacientes de forma filantrópica. Uma instalação específica foi feita para esse projeto”, aborda.

A Hípica também retormou, nos últimos anos, a maximização do uso do salão social. “E não estamos utilizando nosso belo salão social apenas para aluguel. O clube vem realizando shows de expoentes da músicas, nomes tradicionais culturalmente. A prévia do Carnaval bauruense fez história na Hípica”, cita.

O salão social de 900 metros quadrados de instalação, climatizado, abriga 1.000 pessoas sentadas, com mesas nos eventos.