08 de julho de 2026
Articulistas

A praga

João Pedro Feza
| Tempo de leitura: 2 min

Meados dos anos 70, EUA: surge o crack. 1980: a droga começa a ganhar as ruas americanas. 1989: primeiro uso descrito na cidade de São Paulo. 1990: o prefeito de Washington, Marion Barry, é flagrado em vídeo fumando crack.

Década de 90: o cantor Rafael Ilha mergulha no crack (até sessenta pedras por dia, disse). 2007: Juninho do Banjo, do grupo de pagode Katinguelê, diz ter ficado na rua sem tomar banho por dois meses, fumando crack.

2010: o milionário ator Charlie Sheen revela ter fumado crack para "fugir do tédio" (sete pedras por dia, disse). 2013: o prefeito da cidade canadense de Toronto, Rob Ford, é investigado por supostamente aparecer consumindo a droga em vídeo. Ele nega. 2013: a socialite americana Brooke Mueller aparece em vídeo fumando crack.

Famosos, meio famosos ou poderosos aos pés do crack revelam que a popular praga não está restrita aos anônimos sem grana. Gente com oportunidades também não é feita de pedra: e cai.

Já se mostra oportuno pensar em 2014: como a sociedade vai avançar em busca de um combate mais efetivo a uma droga tão avassaladora? Há planos em Bauru e outras partes do mundo, é claro. Mas é um tormento imaginar que a dependência e o tráfico ainda poderão falar mais alto a partir do monumental e nefasto poder de uma pedrinha.

Essa é a pior epidemia dos nossos tempos. É a tinta que define o quadro de flagelo de até 500 mil brasileiros. Três milhões de americanos estão, nesse momento, de joelhos ao subproduto da pasta de cocaína, inalado para viagens tão eufóricas quanto catastróficas.

Mc Cidinho, funkeiro do "Rap da Felicidade", afirma ter largado o crack. Como canta em seu sucesso, só quer ser feliz na favela onde nasceu. Que outros tantos, perto ou longe da fama, aqui e em outros países, também possam quebrar a pedra e voltar a viver.


O autor, João Pedro Feza, é editor executivo do Jornal da Cidade