Edward Snowden, ex-técnico do serviço de inteligência dos EUA que revelou o esquema mundial de espionagem do país, defendeu em carta aberta uma “solução global” que limite legalmente programas de monitoramento a cidadãos e políticos.
A carta, publicada ontem com exclusividade pela revista semanal alemã “Der Spiegel” sob o título “Um manifesto pela verdade”, ressalta que a sociedade “não pode esquecer que a espionagem em massa é um problema global e requer uma solução global”.
Segundo Snowden, tramas de acompanhamento e interceptação das comunicações como as que revelou “não são só uma ameaça para a esfera privada”, mas também para “a liberdade de expressão”.
“Temos a obrigação moral de preocupar-nos para que nossas leis e valores limitem os programas de espionagem e protejam os direitos humanos”, afirma o ex-técnico da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana.
Snowden, de quem os Estados Unidos retiraram o passaporte após as primeiras revelações e que vive agora com uma permissão temporária em Moscou, ataca “alguns governos” (ele menciona Washington e Londres) que iniciaram “uma campanha de perseguição” contra ele e que querem eliminar o debate público sobre a espionagem.
A capa do semanal estampa o rosto do informante e a manchete “Asilo a Snowden”, com a frase “quem revela a verdade não comete nenhum delito”, abaixo. O trecho encerra a carta publicada, e já constava na mensagem enviada pelo americano ao governo alemão na última semana.
Além do manifesto de Snowden, a revista traz o pedido de mais de 50 figuras públicas alemãs para que o país conceda asilo ao americano.
O ex-secretário geral da União Democrata Cristã (partido da chanceler Angela Merkel), Heiner Geissler, afirma que “Snowden prestou um grande serviço ao mundo ocidental” e que cabe agora à Alemanha ajudá-lo.
‘Causa política’
Segundo o jornal britânico “Guardian’’, o motivo pelo qual o brasileiro David Miranda foi detido, em agosto deste ano no aeroporto de Heathrow, em Londres, teria sido o de promover “causas políticas ou ideológicas’’.
Miranda é namorado do jornalista Glenn Greenwald, responsável pela publicação no jornal britânico “Guardian’’ das denúncias sobre o programa de espionagem do governo dos EUA.
A agência Reuters, entretanto, cita informações da polícia e de documentos de inteligência que afirmam que o parceiro de Glenn Greenwald estaria envolvido com “terrorismo’’, tentando transportar documentos do ex-agente de inteligência norte-americano Edward Snowden.
Após a sua libertação e retorno ao Rio, Miranda entrou com uma ação judicial contra o governo britânico exigindo a devolução dos materiais apreendidos com ele por autoridades britânicas e uma revisão judicial da legalidade de sua detenção.
Um documento divulgado em uma audiência relacionada à ação de Miranda nesta semana afirma que “a inteligência [britânica] indica que Miranda provavelmente está envolvido em atividades de espionagem, com potencial para agir contra os interesses da segurança nacional do Reino Unido’’. Segundo a Reuters, uma nova audiência sobre a ação de Miranda está marcada para a semana que vem.