09 de julho de 2026
Internacional

Mohamed Mursi vai a julgamento hoje


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Reuters

Apoiadores de Mursi tomaram as ruas do Cairo para protestar e aguardar o julgamento

O primeiro presidente do Egito escolhido em eleições livres, Mohamed Mursi, vai a julgamento nesta segunda-feira (4), após operações das forças de segurança terem devastado o seu grupo, a Irmandade Muçulmana, e levantado o temor de que o atual governo, apoiado pelos militares, estaria reeditando o Estado autoritário.

Com a revolta popular que derrubou Hosni Mubarak em 2011, a esperança era que o egípcios acabariam com a influência dos militares junto ao governo. No entanto, os percalços da transição no país mais populoso do mundo árabe trouxeram os generais de volta ao poder, para a surpresa dos aliados ocidentais do Egito.

Mursi, derrubado pelo Exército em 3 de julho, após protestos de rua contra o seu governo, deve comparecer ao tribunal com 14 outras lideranças da Irmandade Muçulmana, sob a acusação de incitar a violência.

Eles podem ser condenados à prisão perpétua ou à pena de morte se considerados culpados, o que aumentaria ainda mais a tensão entre os integrantes da Irmandade e o governo, e aprofundaria a instabilidade política que tem prejudicado o turismo e o investimento num país onde um quarto das pessoas está abaixo da linha de pobreza.

Quando os militares derrubaram Mursi, foi prometido um plano para conduzir o país a novas eleições livres. Contudo, o que se viu foi um dos mais duros esquemas de repressão já montados contra a Irmandade, que agora luta para sobreviver.

Em agosto, a polícia de choque, com apoio de atiradores do Exército, acabou com os protestos de rua que exigiam o retorno de Mursi.Autoridades acusam a Irmandade de estimular a violência e o terrorismo.

Centenas de integrantes do movimento foram mortos, e muitos dos seus líderes, presos. A Irmandade nega ligações com atividades violentas.

O local em que Mursi está preso não foi revelado. O julgamento deve acontecer num instituto policial perto de uma prisão no Cairo.

As acusações de incitar a violência estão relacionadas com a morte de dezenas de pessoas em confrontos do lado de fora do palácio presidencial em dezembro, depois que Mursi irritou os adversários com um decreto que aumentava os seus poderes.

Apoiadores de Mursi foram às ruas ontem para esperar o julgamento.       

 

 

‘Parceiro vital’

O secretário de Estado norte-americano, John Kerry, encontrou-se com o ministro do Exterior egípcio ontem, no Cairo, e disse que o Egito é um “parceiro vital” com o qual Washington tem o compromisso de trabalhar.

Kerry, a mais importante autoridade dos EUA a visitar o Egito desde a derrubada do presidente Mohamed Mursi pelo Exército em julho, enfatizou a necessidade de julgamentos justos e transparentes no país. Ele disse que há indícios de que os generais do Egito poderiam restaurar a democracia, depois que os militares derrubaram o presidente islâmico Mohamed Mursi em julho, após protestos em massa contra seu governo.