"Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, e terei a honra como preceito. Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime. Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário".
Quando se assiste o ato solene da formatura de qualquer turma que encerra seus estudos acadêmicos, a emoção toma conta de todos os presentes quando é proferido o Juramento de Hipócrates. Mas grande parte daqueles aptos a exercerem a nobre atividade de curar os males que nos afligem o corpo apagam da memória tal juramento e passam a nortear-se pela materialidade.
Com base na situação em que se encontra a saúde pública em Bauru, pode-se afirmar, sem sombra de quaisquer dúvidas, que falta àqueles profissionais da classe médica que insistem em não cumprir a jornada mínima de serviço - a qual tinha conhecimento antes de assumir o cargo público ? a honestidade, a honradez, a vontade de servir aos mais necessitados, enfim, a palavra empenhada quando da assunção a tal cargo. Se fossem profissionais sérios, pediriam para sair, como sugere o cap. Nascimento, em Tropa de Elite.
O que Hipócrates (460 a.C./370 a.C.) diria se vivesse na atualidade?
Antonio Ramos