09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Mirtola, o artilheiro


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Hamilton Novaes, o Mirtola, descendente de uma família de futebolistas, a partir de seu pai Manoel Novaes, craque do Luzitana e Noroeste nas décadas de 20 e 30 e árbitro da L.B.E. e seus irmãos Adolfrizes, centroavante do Noroeste e o primeiro jogador bauruense contratado pelo Santos F.C., em novembro de 1945; Titão, atacante, que atuou no PRG 8, América e Noroestinho, e Bodinho, centroavante do Noroestinho, Ferroviário, Noroeste (profissional) e BAC (nos anos 60), por sua compleição física, sofria muitas contusões e na falta de uma medicina esportiva à altura na época, não chegou ao topo da carreira dos grandes jogadores bauruenses.

Era excelente jogador de basquete, atacante com verdadeira "bomba" em sua perna esquerda e eclético como era, poderia brilhar como goleiro pela firmeza de suas defesas com as mãos. Iniciou sua carreira no Noroestinho (varzeano de "Alfredo de Castilho") em 1945, com 16 anos de idade, e novato nos gramados surpreendeu, pois foi o artilheiro do Campeonato Varzeano Bauruense desse ano assinalando 32 gols! Após esse certame, atuou no BAC no decorrer da campanha vitoriosa de 1946, formando em seu elenco, porém, jogou apenas em partidas amistosas. Passou pela Antártica em 1947 e no ano seguinte agregou-se ao profissionalismo no Noroeste ao lado do irmão Adolfrizes, que havia retornado do Santos F.C. em junho. Prosseguiu no clube até 1949 e em 1950 resolveu atuar novamente na várzea passando pelo Noroestinho; atingiu a marca de 36 gols, sendo o vice-artilheiro do campeonato, ultrapassado somente por um dos maiores jogadores da terra, Dirceu Barone, que marcou 37 gols atuando pelo Cooperativa. O tio de Baroninho não se interessou pela categoria profissional, embora tivesse condições para isso. Em 1951, Mirtola estava retornando ao quadro principal noroestino e atuando ao lado de Adolfrizes até a campanha vitoriosa de 1953. Já não eram titulares no certame de acesso à Primeira Divisão. O ataque noroestino era formado por novos craques: Colombo, Zeola, Brotero, Ranulfo e Luiz Marini. Sem chances... A partir de julho de 1954 fez parte do elenco do Noroestinho, campeão varzeano do ano, ao lado de Adolfrizes e Bodinho. Foi o quarto colocado na artilharia do campeonato com 18 tentos assinalados.

Encerrou sua carreira em Bauru atuando em 1955 na A.E. Antártica, que tinha em suas fileiras Cecílio, Brejão, Aloisio, Carnassa, Chocolate, Brandãozinho, Paulo Roberto, Dimas, Alemão, Adolfrizes, Julinho Paixão e Alcidinho. Mirtola foi o artilheiro desse ano com 20 tentos. Emérito cobrador de falta, marcava um limite superior por partida: 15 de outubro de 1950 ? Noroestinho 6 x União 1, com os seis tentos de sua autoria. 24 de abril de 1955 ? Antártica 6 x Fortaleza 1, com quatro tentos marcados. 29 de maio de 1955 ? Antártica 7 x Fluminense 1. Nessa partida Mirtola caprichou: os sete tentos do vencedor tiveram o seu "carimbo"!

No final de 1956, Mirtola parava: jogou pelo Duartina F.C., formando em sua equipe campeã regional com Zanata, Lozano, Xandu (o craque noroestino), Paulo Roberto, Zuluzinho, Paulão, Mocho, Helio, Fernando, Mauro, Waldir, Aderaldo, Waldemar, Pedrinho, Chiquinho, Dedé, Adolfrizes e Julinho Paixão. No profissionalismo, atuando pelo Noroeste, participou de 91 partidas e assinalou 32 tentos. No tradicional campeonato varzeano bauruense em quatro temporadas (1945-50-54 e 55) marcou 106 tentos, sendo o artilheiro maior de toda a sua história.

Hamilton Novaes, o Mirtola, era funcionário dos escritórios da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (Rede Ferroviária Federal), assim como Adolfrizes, Adalberto (Titão) e Ademar (Bodinho). Mirtola faleceu no dia 4 de março de 1960, numa sexta-feira, com 31 anos de idade, deixando entre seus familiares, companheiros de equipes, torcedores e amigos um espírito de união e irmandade. Colaborou de todas as formas para a elevação do futebol bauruense em sua verdadeira essência! Grato.

Fausto Gamba Gonçalves