A disseminação dos efeitos da desvalorização do real, principalmente entre os alimentos, impulsionou a inflação e levou o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) a subir 0,57% em outubro (veja quadro). O resultado foi o mais alto desde fevereiro deste ano (+0,60%) e confirma a trajetória de aceleração retomada no segundo semestre.
O IPCA, índice oficial de inflação, subiu 0,57% em outubro, contra 0,35% de setembro. Analistas estimam um índice no mesmo patamar em novembro, ainda sob efeito do aumento dos alimentos, que sobem na esteira de custos maiores de produtos importados ou cotados em dólar, como o trigo e as rações animais. Tal pressão se traduziu, nos supermercados e similares, em altas de importantes itens de consumo diário, como macarrão, pão, frango e carne.
Apesar de ter ganho fôlego, o IPCA acumulado em 12 meses se estabilizou nos dois últimos. Em outubro, o índice ficou em 5,84%. Em junho, o acumulado havia ultrapassado o teto, com 6,70%.
Segundo analistas, a menor pressão não é um sinal de alento nem sinaliza um afrouxamento da política de alta dos juros. Para evitar que a inflação encoste no teto da meta de 2013 (6,5%) e para abrir espaço para o reajuste da gasolina (pleiteado pela Petrobras, que sofre problemas de caixa), o governo deve elevar novamente a taxa básica de juros - hoje, em 9,5%.