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Em uma sociedade consumista com apelos para compra a todo momento, o planejamento e disciplina são as principais dicas dos economistas para a conquista da independência financeira ou cumprimento de alguma meta como casamento, compra de um carro, viagem em família ou até mesmo a aquisição da casa própria.
Essa foi a estratégia utilizada pela proprietária de agência de turismo Luciana Roza de Horta, 42, para organizar suas finanças. Para driblar o desejo de gastos excessivos, a empresária separa o salário em pequenos pacotes com as quantias destinadas para cada pagamento como gasolina, escola e previdência privada da filha, conta telefônica e seguro do carro.
Ela reserva até mesmo o montante a ser gasto no salão de beleza. As sobras, Luciana utiliza para gastos extras como a fatura de cartão de crédito – acompanhada diariamente pela Internet – e para o lazer.
“As pessoas consideram até precária esta separação manual, mas acredito que seja uma forma de realmente não destinar o dinheiro para outras finalidades e evitar o endividamento”, diz.
As medidas foram adotadas pela empresária após mudança de emprego e redução no salário. “Depois disso passei a ser mais criteriosa com os gastos. Anteriormente comprava até três pares de sapatos sem nem pensar”, revela.
Planilha
Além da separação manual do dinheiro, Luciana também monta uma planilha, no computador, na qual especifica todos os gastos. O valor total das despesas obrigatoriamente deve coincidir com o salário da empresária. “Fora isso, ainda tenho um caderno em que detalho os gastos. O resultado da soma dos valores não pode ser diferente do meu extrato bancário”.
Para o economista Reinaldo Cafeo, a chave para o sucesso na busca da independência financeira está na capacidade de acumular riqueza ao longo do tempo com sobras.
Na prática, o especialista orienta a separação de 10% da renda familiar para aplicação na caderneta de poupança. Por exemplo, de uma renda de R$ 2 mil devem ser reservados R$ 200,00 e o restante ser utilizado para pagamento de impostos, gastos essenciais como alimentação e mensalidade da escola dos filhos.
Padrão de vida
Outra dica primordial é a percepção do real padrão de vida ao qual a pessoa se enquadra e a racionalidade antes de efetuar compras.
“Vivemos em uma sociedade de consumo com tentações e sugestões para a pessoa ser aquilo que ostenta, como ter o celular mais moderno, possuir roupas de grife ou o carro do ano. Entretanto, temos de praticar estratégias que não deixem este ambiente nos massacrar, ou seja, saber se questionar se o meu dinheiro é suficiente para aquela aquisição”, comenta.
O economista também alerta para dicas básicas, como ir até o supermercado com uma lista para não comprar mais do que o necessário (leia mais no quadro).
“Neste caso o consumidor deve sair de casa, após ter verificado a despensa para checar as reais necessidades. Portanto, o planejamento é necessário em diversos setores da nossa vida. Na verdade tudo é possível, por exemplo, eu posso sair todos os sábados com a família ou os amigos, mas não preciso ir até a melhor pizzaria da cidade”, alerta.
E para os endividados...
Para o público que já está na lista dos endividados, a orientação para sanar a situação é detectar onde está o descontrole e, a partir disso, adotar estratégias como negociação com os credores, principalmente aqueles com juros mais altos.
“Porém, um ponto importante a ser observado é a necessidade da união da família para cumprimento do objetivo. Para começar é importante a convocação de uma reunião com todos os membros para exposição da real situação e a forma de colaboração de cada um. Depois disso é preciso priorizar o pagamento do essencial, como aluguel e contas de água e energia”, ressalta Cafeo.
A média de prazo para a recuperação de um endividado é de dois a três anos. “Por fim, a dica principal é seguir em frente com disciplina na execução das mudanças para não repetir o endividamento. Todavia, é importante ressaltar que, no caso das finanças, as orientações preventivas são mais válidas e fáceis do que as corretivas”.
‘Deixei de participar de festinhas para economizar’
Já para os consumidores com objetivo específico como o casamento, viagem de férias ou compra da casa própria, o ideal é especificar o que de fato deseja e o orçamento necessário para o cumprimento de determinada meta.
A supervisora de circulação Rosana Mariano Pinto, 48, aderiu a essa forma de gestão e atingiu o sonho da casa própria.
Durante três anos, Rosana deixou de participar com tanta frequência de churrascos e festas com familiares e amigos. Com isso ela economizava cerca de R$ 1 mil ao mês.
“O segredo é menos festinhas e diversão e tomar a consciência de que a economia de R$ 1 mil já ajuda em uma compra de algo maior. Não deixei de me socializar, mas, por exemplo, caso fosse convidada para churrascos na sexta-feira e domingo, escolhia uma das duas datas para participar dos eventos”, relatou.
Rosana financiou uma casa de R$ 160 mil e ainda realizou algumas reformas estimadas em R$ 23 mil na residência.
Casamento
Para o casamento, a dica é o agendamento com dois anos de antecedência.
“A pessoa deve definir o patamar de evento a ser realizado e mobília a ser adquirida para a casa com o estipulado no seu orçamento. Assim, o casal começaria a nova vida sem dívidas. Mais um ponto que merece atenção é a verificação da idoneidade dos fornecedores para a prevenção de transtornos no dia da celebração do matrimônio”, pontua o economista Reinaldo Cafeo.
IR
O economista Reinaldo Cafeo orienta os consumidores a utilizar eo dinheiro extra da restituição do Imposto de Renda para o pagamento de contas, no caso dos endividados, e a aplicação para aqueles com a situação financeira em dia. “Para os endividados não há dúvidas, a solução é utilizar este dinheiro extra para renegociar os débitos, principalmente os relacionados com cartão de crédito e cheque especial. Já para as pessoas que não têm contas atrasadas, a dica é aplicar na poupança para as compras de final do ano”.