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João Rosan |
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Em Itapuí, quatro grandes empresas de móveis movimentam a economia da cidade |
A região de Bauru concentra polos da indústria moveleira. Itapuí e Dois Córregos são alguns deles. Móveis e produtos fabricados com madeira representam o segundo grande negócio em ambos os municípios. Geram empregos e contribuem para a arrecadação de impostos, garantindo espaço na economia local e regional.
Em Dois Córregos são 28 empresas no segmento, e uma delas é considerada a segunda melhor para se trabalhar no Brasil e na América Latina (leia mais nas páginas seguintes). Fabrica mais de 60 mil peças/mês e as revende para o mercado varejista.
Em Itapuí são quatro grandes empresas de móveis. Uma delas também fabrica peças para o mercado varejista, atendendo especialmente o público da classe C. Mas também possui lojas focadas no público A em Bauru, Ibitinga, Jaú e Lençóis Paulista.
“São lojas que têm 20 anos e são bastante conhecidas na região. O setor moveleiro está sofrendo. Com a chegada dos celulares, os consumidores comprometeram parte do orçamento com a compra do eletrônico e a venda de móveis ficou para segundo plano. O consumidor migrou as compras para os eletroeletrônicos, carro e linha branca. Passamos uns sei meses muito difíceis até conseguir a redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados),” comenta o empresário de Itapuí Guido Carlos Antônio Lanza.
Para ele, houve uma queda de aproximadamente 30% nas vendas de móveis no País. “A indústria moveleira no Brasil não está vivendo um bom momento há seis anos. O problema começou em 2008 por conta da crise econômica do País e mundial. Em janeiro de 2011 o governo reduziu o IPI da linha branca e de carros, o que intensificou a crise. Atualmente minha venda na fábrica está 15% menor do que em 2010.”
Ele comenta que, nessa época do ano, o volume de pedidos nas fábricas deveria estar ‘fervendo’. “Deveria ter um grande volume de pedidos em carteira. No entanto, o que estamos vendo são fábricas dando férias coletivas no Sul do País. O setor está sofrendo tanto na produção quanto no comércio.”
Ele explica que em janeiro de 2011 o dólar equivalia a R$ 1,67 . Hoje está em torno de R$ 2,23. “O que ocorreu? O governo desestimulou as fábricas de acessórios, de dobradiça e de corrediça a fabricar. Eles estavam importando muita coisa, fica mais barato do que fabricar. A alta do dólar foi em torno de 30% e isso refletiu demais no custo da matéria-prima. Evidentemente que essa alta tem que ser repassada ao consumidor. Foi mais um dos itens que intensificaram a crise.”
Outro fator preponderante para o setor é que com o aumento do dólar ficou muito difícil manter o nível das exportações. “As empresas, principalmente do Rio Grande do Sul e Santa Catarina que exportam muito, migraram todas as vendas para o Estado de São Paulo, maior mercado consumidor.”
Para o coordenador de sistema de gestão de um fabricante de móveis de Dois Córregos Paulo Grael, os últimos três meses foram complicados para o segmento. “O setor está voltando a aquecer. Somos sazonais e no final do ano aumenta a demanda. Não é um produto essencial. Somos considerados supérfluos.”
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