10 de julho de 2026
Polícia

Homem ateia fogo em apartamento

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos:Divulgação/PM

Devido ao incêndio, o abastecimento de energia elétrica foi interrompido no bloco

Um apartamento de um condomínio residencial da zona sul foi completamente tomado por um incêndio após uma briga de casal registrada na tarde de ontem, em Bauru. Segundo a Polícia Militar (PM), o fogo foi provocado pelo próprio dono do imóvel, que estaria alcoolizado.

O caso foi registrado por volta das 15h45 no Residencial Ícaro, localizado na quadra 2 da rua Semi Gebara, na Vila Leme da Silva, região do Jardim América. A mulher, de 37 anos, vivia há cerca de dois meses no apartamento, com seus três filhos e o companheiro, um representante de vendas de 45 anos. Nenhum dos moradores ficou ferido.

O nome dos envolvidos não será divulgado para evitar constrangimentos à família. A vítima relata que a discussão teve início quando ela retornou de um culto religioso e telefonou para o companheiro, que estava em um bar.

“Ele questionou o motivo de eu não ter ligado antes e disse que voltaria para casa, mas demorou e eu mandei uma mensagem dizendo que iria sair de novo com a minha filha. Bastante alterado, ele disse que era para eu sair da casa dele”, relembra.

A mulher, então, ameaçou procurar a polícia e, por isso, o homem teria jurado matá-la. Alcoolizado, ele retornou para o apartamento, que fica no quarto e último andar de um dos blocos do condomínio, e despejou álcool no colchão dos filhos da companheira.

“Eu tentei conversar, mas fiquei com medo e decidi sair, acreditando que nada de grave aconteceria”, comenta a vítima. Quando ela retornou para tentar pegar algumas roupas para passar a noite na casa de uma amiga, o apartamento já estava tomado pelas chamas. O representante de vendas havia ateado fogo no quarto do casal e dos filhos da companheira e fugido com uma mochila preta nas costas.

As chamas destruíram completamente os dois quartos da casa e os móveis que estavam na sala, na cozinha e demais cômodos também foram danificados pelo calor da fumaça e pela grande quantidade de fuligem. “Como a fumaça é muito quente, muitos móveis acabaram sendo consumidos”, destaca o tenente Saulo dos Santos, do Corpo de Bombeiros.

Foto aérea do prédio com as chamas

Janelas estilhaçadas

Também por conta da alta temperatura, todas as janelas de vidro do imóvel foram estilhaçadas. Ao perceberem o incêndio, moradores de blocos vizinhos acionaram o Corpo de Bombeiros, que trabalharam por quase uma hora para conseguir controlar o fogo.

Para a ocorrência, foram deslocadas três viaturas de combate a incêndio e uma de resgate. Ao todo, seis homens equipados com roupas especiais e cilindros de oxigênio atuaram diretamente no controle das chamas, o que demandou o uso de cerca de 12 mil litros de água.

Para que toda a ação ocorresse em segurança, o bloco onde o incêndio ocorreu precisou ser evacuado. A quadra onde o condomínio fica também foi isolada pela PM. Após as labaredas serem contidas, rachaduras foram detectadas nas paredes do apartamento.

Um engenheiro da Defesa Civil foi acionado para avaliar as condições estruturais do imóvel e descartou o risco de desabamento. Provisoriamente, a família ficará abrigada na casa de uma amiga da vítima.

Devido ao incêndio, o abastecimento de energia elétrica foi interrompido no bloco atingido, mas restabelecido ainda ontem pela CPFL. Até o fechamento desta edição, o incendiário não havia sido localizado.


‘A gente ia se casar’, diz vítima

A vítima alega que, em três meses de relacionamento, o companheiro nunca havia demonstrado agressividade. Ontem, embriagado, ele ateou fogo no próprio apartamento, onde estavam todos os bens da mulher e de seus três filhos. Leia trechos da entrevista concedida ao JC.

JC - Ele já tinha sido agressivo com você outras vezes?

Vítima - Nunca. A gente namora há uns três meses e ele sempre foi um homem de bem. Até ontem (anteontem) estava tudo bem, a gente já tinha planejado casar no civil e foi ele quem pediu para que eu fosse com meus filhos morar com ele. Ainda estou perplexa com o que aconteceu.

JC - Ele tentou falar com você depois do ocorrido?

Vítima - Ele me ligou algumas vezes. Eu disse que ele não tem noção do que fez com a vida dele e ele me disse que tem dinheiro, que a casa tem seguro e que ferrou com a minha vida, não com a dele.

JC - Você e seus filhos perderam tudo?

Vítima - Tudo. Tudo o que a gente tinha. Quando fui morar com ele, doei todos os móveis que eu tinha no meu apartamento antigo.

JC - Já sabe o que vai fazer a partir de agora?

Vítima - Ainda não. Vou ficar temporariamente na casa de uma amiga. Pretendo prestar queixa na polícia, mas ainda estou em choque.