08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Conta-gotas


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"Errar é humano, mas persistir no erro é burrice". O adágio é, por certo, centenário. Por isso não nos pertence. O que chama a atenção é o verbete "burrice". Derivado de "burro" leva-nos à acepção de indivíduo estúpido, grosseiro, ignorante, segundo registro de dicionários. No entanto, segundo depoimento de domadores de animais xucros, o burro é mais inteligente que o cavalo: evita buracos, cercas e obstáculos perigosos durante a doma. Lendo o jornal, senti que estava sofrendo um processo de "emburrecimento".

Mas o termo não é registrado nos dicionários. Então não existe... Mas a dúvida persiste. Entendam: "Governo de São Paulo decide alterar a progressão continuada". Assim, o aluno só poderá ser reprovado em 2 dos 9 anos do ensino fundamental: no 5o e 9o ano. Você entendeu?! Eu, não! Resolução, o aluno que não aprendeu a ler entre o 1o e 5o ano, esperará cinco anos para ser reprovado...

Há nas escolas professores diferenciados no processo de alfabetização. Por que o ensino que se torna difícil em uma classe com vários alunos?! Fácil: a professora encaminharia o aluno ao professor, com uma recomendação: "o aluno não consegue ler." Dentro de poucos dias o aluno seria devolvido, lendo satisfatoriamente. Outro recurso: convidar professores especialistas para orientarem professores das primeiras séries do ensino fundamental! Sem qualquer alusão ao esporte, guardei a frase do goleiro Rogério Ceni, após insucesso fora do país: "o que nos prejudicou não foi a "altitude", mas a "atitude". E mais não disse, nem era preciso.

O que marca o aluno é a "atitude" do mestre. E mais de quarenta anos de magistério, jamais alterei a voz em sala-de-aula. Jamais enviei aluno à sala da Diretoria. O que o Estado deveria fazer é exigir a presença de no mínimo 80% às aulas. É mister aprimorar a formação do aluno, muito mais importante do que a informação. E não é demais repetir: há mais de 50 anos defendo a inclusão do ensino de xadrez nos currículos escolares.

Para fazer campeões? Não, para ensinar o aluno a pensar; a respeitar a vitória do oponente e manter a sobriedade durante as vitórias. Que os especialistas me perdoem, mas não consigo aceitar as medidas propostas... Talvez por não ser especialista...

Álvaro Baptista Pontes