08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Ídolos


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Não! Não se trata dos ?deseducativos? programas divulgados pela mídia. Não se trata também de concordar ou discordar dos artistas/intelectuais que se espantam com a divulgação de suas biografias que tratam, na verdade, de um "curriculum mortis", - um passado sem experimentar mudanças e para esse objetivo invocam artigos da lei maior do País. O subscritor deseja apenas e tão só abordar os rumos da idolatria que os homens, de um modo geral, movidos pela propaganda falsa ou verdadeira abastecem a vaidade de alguns e servem de munição ao assoberbado orgulho de outros. O tema não é novo! Na antiguidade ? sem entrar no mérito, egípcios, indianos, gregos e romanos tinham os seus adorados ídolos ? deuses e divindades, crenças e cultos frutos do paganismo vigente em cada época, inclusive com o sacrifícios animais e pessoas nos festivais ritualísticos. O que se pretende neste momento é uma tomada de posição em favor dos valores internos ? os valores do espírito, inalienáveis por natureza e revelados pelo necessário bom senso, pelas emoções e pelos sentimentos de fraternidade. No mundo moderno, homens e mulheres assumem perante a sociedade cargos e ou funções de relevo, mas uma minoria é atacada pelo vírus da vaidade e acaba ditando as regras de conduta, de disciplinador perfeccionista e de controlador dos seus subordinados e desse modo, retornam ao barbarismo de antigamente.

Orgulhosos da efêmera posição ocupada na sociedade, repetem o comportamento de Dionisio ? deus grego das festanças regadas com muitas bebidas e por esta razão chamado Baco entre os romanos, ou seja, no exercício das suas atividades acham-se verdadeiros deuses distribuindo benesses aos seus protegidos e bajuladores. Envolvidos pela vaidade e pelo orgulho , elevados ao panteão das "celebridades", esses ídolos de pés de barro vão reconhecer, em algum momento de suas vidas, a existência de valores mais profundos nascidos na crença dos ensinamentos cristãos. A idolatria, ao contrário, inverte essa ideia de valores, proporcionando a criação dos "novos Dionisios". A exagerada publicidade/propaganda substituindo o Ser pelo Ter, exalta o homem comum ao invés de exaltar o único e verdadeiro Ídolo que é Jesus, modelo a ser seguido.

Para um verdadeiro "curriculum vitae", é importante e necessário que o biografado faça um bom exame de consciência, examine o emprego dos dons recebidos e seja reconhecido pelas boas obras que serão deixadas, aceitando com humildade as eventuais críticas; estas fazem parte do processo evolutivo/corretivo de toda a humanidade, processo este tão bem explicado por Allan Kardec na abordagem que fez da Lei do Progresso, em sua magnífica obra "O Livro dos Espíritos".

Roque Roberto Pires de Carvalho