08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

A crônica da burrice


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Ao longo da existência humana, fomos brindados por três categorias distintas de pessoas: os inteligentes, que ousaram desafiar conceitos, ciências e paradigmas, trazendo avanços e inovações que nos colocaram no atual patamar de desenvolvimento; os normais, que aceitaram o destino e foram a força motriz da sociedade; e os burros, que se tornaram a provação, a dificuldade e o atraso.

O problema do burro é que ele não apenas detém o avanço, mas se esforça pelo errado. Ele é aquele que duvida do novo e insiste no velho, mesmo nas experiências fracassadas. O autêntico burro trabalha com a ineficiência e dogmas nocivos. Esse tipo de idiotia é perigosa, pois foi graças a ela que as Inquisições duraram 400 anos, uma medicina asséptica causou tantas mortes e tantas guerras foram travadas.

Falar em burrice me faz lembrar a Emdurb. Em Bauru, há o chamado "bloqueio de segurança", que é aquele estágio duplo vermelho nos milhares de semáforos. Tudo bem que aquilo deve estar escrito num manual qualquer, o velho e embolorado dogma, mas um ser evoluído teria percebido que o bloqueio de segurança é, exatamente, a causa de milhares de infrações em todos os semáforos da cidade. Ora, por que parar no sinal vermelho se se sabe que o motorista da transversal não vai se mover, já que para ele também estará vermelho?

Alguém que duvidasse da eficácia do bloqueio de segurança teria se sentado cinco minutos num cruzamento e perceberia que nenhum semáforo é respeitado. Nenhum, em momento algum! E choraria ao ver a dificuldade dos pedestres em tentar cruzar ruas e avenidas, com os carros acelerando fundo para usar todo o imaginário tempo dos vermelhos duplos. Pode ter sido uma tentativa de colocar ordem no tráfego anos atrás, mas sem dúvida é algo que não funcionou e mereceria renovação urgente. Meu medo é que um burro qualquer queira colocar mais uma cor no semáforo para garantir a existência do ineficiente duplo vermelho.

O grande problema dessa cidade chamada Bauru não está na crônica sobre a burrice, mas na burrice crônica que faz os técnicos da Emdurb não saírem da zona de conforto dos velhos manuais.

Ivan Garcia Goffi - advogado