08 de julho de 2026
Nacional

Prejuízo com ocupação da USP pode passar de R$ 1 milhão


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Os danos causados pela invasão do prédio da reitoria da USP podem ultrapassar R$ 1 milhão. A estimativa foi anunciada hoje (14) pelo reitor da universidade, João Grandino Rodas, em entrevista à Rádio USP. A auditoria patrimonial deve ser finalizada apenas na próxima semana.

De acordo com o reitor, o prejuízo envolve "furtos e danos a móveis, persianas, equipamentos de informática e de telefonia, materiais de escritório, portas arrombadas e paredes pichadas à exaustão, além do desaparecimento de processos e documentos".

A USP alega que irá cobrar na Justiça o ressarcimento aos cofres públicos pelos responsáveis pelos estragos. "Nesse caso, a destruição se iniciou com a marretada dada por um funcionário de um dos sindicatos da universidade. Ela se estendeu por 42 dias, com a destruição que todos viram e, durante as negociações e as falas com o juiz, apareceram não só o Diretório Central dos Estudantes (DCE) como também os dois sindicatos, intitulando-se observadores."

O orçamento da universidade está previsto para ser encerrado no dia 25 deste mês. Como toda autarquia estadual, a USP deve prestar contas do ano vigente para abrir os procedimentos legais de compras de materiais. Segundo a universidade, não haverá tempo hábil para a reposição dos itens que foram danificados.

Prisões

A Justiça decidiu soltar na tarde de ontem dois estudantes presos após a ocupação da reitoria.

Na decisão, a juíza Juliana Ghelfi disse que não era possível dizer que os suspeitos tinham sido detidos em flagrante, pois "eles não foram surpreendidos praticando os atos em questão".

A defesa dos estudantes disse que eles foram presos de forma arbitrária pelos policiais.

O advogado Felipe Vono disse que os estudantes tinham acabado de se conhecer e não entraram nenhuma vez na reitoria. "Testemunhas foram à delegacia dizer que os estudantes estavam na festa do curso de filosofia [no momento da reintegração]. É absurda a acusação de formação de quadrilha se apenas duas pessoas foram detidas, quando a lei prevê pena para três ou mais", disse.

Os estudantes disseram ter sido torturados por policiais quando foram presos. Eles contam ter levado chutes e socos na canela e no estômago. Além disso, PMs teriam circulado pelo campus da universidade com eles no camburão. O advogado Felipe Vono afirmou que vai "usar todos os meios legais para responsabilizar o Estado pelos excessos e arbitrariedades impetrados na reintegração de posse."

Em nota, a Polícia Militar informou que "coloca-se à disposição dos envolvidos para formalizar queixas na Corregedoria".