09 de julho de 2026
Geral

?Manifestações desafiam a República?


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15 de novembro de 1889. Há exatamente 124 anos, um grupo de militares do Exército brasileiro, liderado por Manuel Deodoro da Fonseca (Marechal Deodoro), destituiu o imperador Dom Pedro II e proclamou a República no País.

Entretanto, para alguns historiadores, a representatividade da população diante desse novo modelo de governo começou a ser colocada em prática apenas a partir da Constituição de 1988, que estabeleceu o voto universal.

Neste ano, a população saiu às ruas entre os meses de junho e julho em busca de uma democracia que atenda às suas necessidades. O gigante acordou.

E, segundo o professor doutor em história social da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, Maximiliano Martin Vicente, ele continua acordado. E está busca de uma República mais igualitária e com maior participação popular.


Jornal da Cidade - O senhor acredita que o modelo de República brasileiro passa por uma crise após as manifestações de junho e de julho no País?

Maximiliano Vicente - Eu creio que não, porque nós tivemos uma restrição muito grande à participação popular no período que compreende a Proclamação da República à Constituição de 1988, quando se instituiu o voto universal. Entretanto, os grupos políticos permaneceram muito distantes da população. As manifestações de junho e de julho mostraram que os cidadãos estão cansados desse governo elitista. Isso foi um desafio para a República, porque o Poder Legislativo estava muito tranquilo e agora teve de acordar. Infelizmente, as manifestações não tiveram fôlego para ficar o tempo todo, mas a população tem guardado na memória o que aconteceu. Porém, só vamos, de fato, ter certeza se a República brasileira passa por uma crise após o próximo processo eleitoral.

JC - Como o senhor mesmo disse, os grupos políticos permanecem distantes da população. Qual seria a solução para uma maior proximidade entre os cidadãos e a República brasileira?

Maximiliano - Primeiro temos de separar a democracia política da social. Entre elas, existe uma diferença muito grande. O ideal seria que a democracia política olhasse mais para a social e não apenas pelo lado político. Hoje nós sabemos que existe uma inversão de poderes. Quem determina as leis, na prática, é o Executivo, enquanto o Legislativo fica em uma situação de submissão. Portanto, eu creio que deveríamos reverter esse processo para que as demandas populares se transformassem em leis que devessem ser cumpridas.

JC - Isso é possível de se colocar em prática no Brasil?

Maximiliano - Isso é possível, sim. Temos alguns exemplos de políticas públicas voltadas à população no País, como a criação da Secretaria Nacional de Economia Solidária, que visa a geração de trabalho e de renda, a inclusão social e a promoção do desenvolvimento justo e igualitário. Mas isso, por enquanto, “sai de cima para baixo”. O interessante seria o contrário.

Arquivo/Neide Carlos

O professor Maximiliano Vicente: “O Poder Legislativo estava muito tranquilo e agora teve de acordar”