11 de julho de 2026
Geral

Por ano são 6 mil novos motoristas

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 5 min

A superfrota de veículos em Bauru é tema recorrente no noticiário e de discussões e debates em busca de soluções para o problemático trânsito da cidade. Porém, atrás dos novos volantes e sobre as novas motos que circulam pelas vias existe também um “exército” de recém-formados condutores. Bauru recebe em suas ruas, de acordo com estatísticas do Detran-SP, uma média de 6.390 novos motoristas todos os anos. São pessoas que tiraram sua primeira Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e passam a integrar o trânsito, buscando espaço nas movimentadas avenidas e ruas.

Os cálculos do Detran apontam 25.561 novos condutores nos últimos quatro anos, levando em conta os números consolidados de 2013 até agosto e que a média mensal deste ano se mantenha até dezembro (veja quadro nesta página). As estatísticas de 2013 apontam média de 528 novas CNHs por mês, o que somaria 6.345 em 12 meses. Os números deste ano podem até superar a média, porque a delegada Cássia Regina Viranda Cancian, diretora adjunta da 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru e responsável pelo setor de emissão de CNH, explica que as habilitações disparam nos meses finais de cada ano.

“Eu vejo o fim do ano como uma época de muita procura, muito candidato e muitos exames. O começo do ano é mais tranquilo e no final do ano é mais pesado”, constata. A delegada relaciona a maior procura por tirar a carteira de habilitação no final do ano aos meses de férias. “Eu acredito que os jovens esperam fechar o ano e mergulham de cabeça para tirar carta antes do Natal. O exame triplica mesmo, fica com um número muito maior e o fluxo é bem grande”, observa Cancian.

Em relação ao perfil dos novos motoristas, a delegada aponta que persiste a maior proporção de jovens tirando a primeira habilitação. Já em relação a sexo, existe um equilíbrio entre homens e mulheres. “Tanto para moto quanto para carro é muito equilibrado. Onde existe ainda um predomínio masculino é nas carteiras profissionais, micro-ônibus, caminhão, carreta... Mas já existem mulheres tirando carta para micro-ônibus”, destaca Cancian.

 

João Rosan

As irmãs Fernanda e Luciana Pires Bichuette, de 18 e 23 anos, respectivamente, tiraram a CNH juntas: independência

Condutoras de primeira viagem

As irmãs Luciana Pires e Fernanda Pires Bichuette, de 23 e 18 anos, respectivamente, fazem parte do novo contingente de condutores que trafegam pelas vias bauruenses. Ambas tiraram CNH há quatro meses e vivem as primeiras experiências com a independência e liberdade que o automóvel proporciona e a responsabilidade e estresse que o ato de dirigir traz. Fernanda relata que ser dona da própria agenda é o principal benefício. “O processo de tirar a carta é um pouco estressante e a gente acaba, depois deste processo, valorizando muito a carta. É bom, a gente se sente um pouco mais livre para fazer as coisas, não depende mais do pai e da mãe para levar onde precisa. E acaba se atrasando menos, porque são nossos horários, você não depende de outras pessoas”, aponta.

Tirar a carteira de motorista era um objetivo de infância, confessa Fernanda. “Eu sempre falava que um dia depois dos 18 anos eu iria tirar a carta. Mas acabei adiando porque tinha que estudar para vestibular. Mas adiei por dois meses. Minha irmã adiou por quatro anos, eu nunca iria fazer isso”, diverte-se. Tranquila, Luciana afirma que a CNH nunca foi uma obsessão, até por contar com “motoristas solidários”. “Nunca foi uma ansiedade. Até porque eu sempre morei em chácara, a gente sempre pegava estrada para ir para casa e eu sempre tive um receio. Na verdade, eu e meu pai, eu sou a primeira filha e tinha um receio maior. Aí comecei a namorar e meu namorado me levava para lá e para cá e fui deixando. Não tinha uma vontade imediata”, relata.

O empurrão para tirar a habilitação veio justamente com a iniciativa da irmã, revela Luciana. “Era uma coisa que ela sonhava desde menina, porque ela é bem mais independente. Ela falou que iria tirar com 18 anos e eu pensei em tirar até para não passar vergonha”, brinca. “E até para dar um descanso para meu pai e para meu namorado também. Eu demorei, mas queria tirar um dia”, completa Luciana.

Ambas relatam as principais impressões e dificuldades nos meses em que guiam pela cidade como novatas. “Eu que acabei de tirar carta, seta é coisa automática. Mas poucas pessoas fazem isso. Até quando estou de pedestre, eu olho se as pessoas estão dando seta para eu poder atravessar uma rua e elas não dão. Quase fui atropelada várias vezes. O trânsito pesado também é uma dificuldade. E tem bastante buraco. Às vezes, você vai desviar de um buraco e tem outro carro vindo”, reclama Fernanda.

Luciana relata que nos primeiros dias pós-CNH contou com o apoio materno no banco do passageiro. “Eu dirigi muito com a minha no carro no começo, ela dando dicas para mim, gritando comigo ‘não faz isso’, ‘não faz aquilo’”, brinca. “Acho que a gente tem que ter um tempo com alguém do lado orientando. Mas estou indo bem, ainda não estou indo a lugares muito distantes, mas estou indo bem”, acredita.

Luciana relata as mudanças que vieram quando passou a ocupar o banco do motorista. “É difícil. Aí que você começa a lidar com trânsito e começa a prestar mais atenção. Quando você anda com os outros, não presta atenção em nome de rua. E tem aquilo que todo mundo fala de dirigir para os outros. Às vezes, tem alguém muito devagar na sua frente e você aprende a ter paciência também, tem que ter”, comenta.

Atenção e calma

A atenção e paciência são mesmo os dois mandamentos para as irmãs Luciana e Fernanda atrás do volante. “Tem que ser calmo, porque com as pessoas que dirigem em Bauru, se você for xingar cada um... Sou bem calma. Tem que ser consciente, não pode dirigir e beber, levar mais gente do que pode no carro ou deixar de usar o cinto de segurança”, aconselha Fernanda. “O principal é mesmo a atenção em todos os sentidos para evitar acidentes. E paciência para ir tranquilo. Quando a gente fica nervoso, tudo se atrapalha, a gente acaba se atrapalhando e atrapalha os outros”, complementa Luciana.



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