Os auditores fiscais suspeitos de integrar a máfia do ISS ajudaram a "elucidar" as falhas na arrecadação de impostos na cidade.
A conclusão é da CPI do IPTU, comandada em 2009 pelos vereadores Antonio Donato (PT) e Aurélio Miguel (PR).
São esses mesmos auditores, suspeitos de causar um rombo de R$ 500 milhões aos cofres públicos, que agora dizem ter dado dinheiro aos respectivos parlamentares, segundo investigação da Promotoria e da prefeitura.
Donato --que até a semana passada era secretário de governo, braço direito do prefeito Fernando Haddad (PT)-- e Miguel comandaram a comissão que buscava revelar falhas que reduziam a arrecadação de IPTU.
Havia à época a suspeita de que empreendimentos imobiliários de grande porte não pagavam o imposto.
Na condição de testemunhas estavam os auditores fiscais Ronilson Rodrigues e Eduardo Horle Barcellos, que segundo a Promotoria, acumularam junto com outros dois auditores R$ 80 milhões obtidos por meio de propina.
A máfia do ISS daria a construtoras descontos no ISS em troca de pagamentos.
Em seu depoimento naquele ano, Rodrigues disse que era dono de um "apartamentinho" na Vila Mariana --segundo a Promotoria, a quadrilha liderada por ele acumulou imóveis e carros de luxo nos últimos anos.
Barcellos disse na semana passada que, de 2011 até o ano passado, dava um pagamento mensal de R$ 20 mil para Donato --valor pago em dinheiro no gabinete do parlamentar, diz Barcellos. Donato pediu demissão depois disso.
O mesmo auditor disse que Ronilson, que era chefe da Receita no município até 2012, lhe confidenciou que deu "muito dinheiro" a Miguel