09 de julho de 2026
Articulistas

A sociedade de consumo: os efeitos da inadimplência

Leandro Alves Ribeiro
| Tempo de leitura: 3 min

A Sociedade do consumo é a denominação designada para definir o atual estágio da sociedade contemporânea à qual se encontra caracterizada pelo consumo massivo de bens e serviços, dentro de um sistema industrial capitalista altamente desenvolvido. Um aspecto importante dentro do sistema capitalista é a harmonia entre oferta e a demanda e de qual modo esse processo ocorre. Um dos problemas que destacamos na sociedade contemporânea é a inadimplência, que no Brasil apenas no 1º semestre deste ano cresceu cerca de 5,6% segundo a Serasa Experian. A Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional de Bens (CNB), Serviços e Turismo, apontava 58,8 % em janeiro de 2012, apontou 62,2 em fevereiro de 2013, tendo o cartão de crédito como o maior vilão, representando cerca de 74,0% das dívidas. Não é novidade que o uso do cartão crédito, representa problemas financeiros ao médio e longo prazo, no entanto o volume de crédito cresceu 563,8%, nos últimos dez anos segundo dados da Associação Nacional dos Executivos (Anefac), o que leva a crer que a inadimplência do ponto de vista econômico está sob controle, porém com tendências de crescimento.

A tendência ao crescimento de consumo não é apenas inerente ao cenário econômico, mas também está impulsionada pelo comportamento social das pessoas. As transformações sociais dos valores da sociedade, que se diferencia através do acesso à bens e serviços, não é apenas uma forma de diferenciar as pessoas na sociedade, mas também torna-se uma forma de realização pessoal, um sinônimo sucesso e prosperidade. Para se posicionar na sociedade do consumo é necessário ter acesso à bens e serviços, esse paradigma junto a outros fatores econômicos e sociais contribuem para que as pessoas acabem contraindo dívidas. Na busca por uma vida "bem sucedida" observamos algumas mudanças na vida social, as pessoas estão ficando mais tempo no trabalho, mais tempo se relacionando pela internet, menos tempo em família, dando atenção reduzida a saúde, a educação e as relações pessoais, sempre procurando um meio de ganhar mais para comprar algo, ou para comprar algo melhor do que já tem. O consumo não é prejudicial, apenas no passado os gastos foram de cerca de R$ 1,3 trilhões, valor equivalente a soma dos PIBs da Argentina e da Suíça. O brasileiro tem gasto seu dinheiro em quase 75%, com itens relacionados à habitação, alimentação e transporte. O brasileiro tem consumido mais e com melhor qualidade, sendo que esse consumo reflete positivamente no cenário econômico e social do País.

O que se destaca nesse cenário é a propensão de determinados grupos e segmentos sociais, que objetivam o consumo sem a devida atenção aos efeitos da inadimplência. O limite entre necessidade e desejo é sem dúvida é ultrapassado, realizados sem um planejamento financeiro adequado e expondo um comportamento social de consumo inadequado. Esse comportamento social inadequado, seja por necessidade ou por desejo, torna-se uma oportunidade de negócio para milhares de organizações e instituições financeiras especializadas em recuperação de crédito.

Parte da sociedade de consumo, consome e outra parte é consumida por intermináveis jornadas de trabalho, refém na sua necessidade e desejo de consumo, que os impede de destinar parte do seu tempo, a família, lazer, esporte bem como impacta no desenvolvimento da sua própria carreira, não tendo tempo para realizar cursos de aperfeiçoamento, graduação, especialização entre outros, fazendo com que o mercado de trabalho, inclusive não aproveite o potencial de muitos profissionais. Os paradigmas de consumo da sociedade contemporânea agem tanto positivamente, quanto negativamente no cenário exposto e a perspectiva é que tenhamos uma sociedade cada vez mais vinculada ao consumo, torna-se então necessário que a sociedade compreenda o consumo, sua função, os efeitos, o papel do consumo no mundo globalizado e principalmente quais os reais benefícios ao curto, médio e longo prazo, para que o consumo não resuma apenas em uma forma de reter alguém, em função de algo. Consciência e lucidez são dois importantes aspectos que devem ser considerados diante do consumo.

O autor, Leandro Alves Ribeiro, é bacharel em administração de empresas e pós-graduando pela Universidade Federal de Santa Catarina