09 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Onde está nosso Plano Diretor?


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Você já viu as centenas de aves que cruzam nosso céu todos as manhãs em graciosas formações? Já viu os tucanos na Bauru-Ipaussu? As duas garças teimosas no Vitória Régia? E aquela outra solitária no rio Bauru, que fica na sombra do viaduto da Rondon? Para não falar no porco-espinho que só os porteiros e vigilantes dos condomínios da Vila Aviação veem quando saem do esconderijo para passear no entorno (ainda) verde do aeroporto. E o rebolado sossegado dos cangambás que beiram a linha de trem perto do quartel? Viu?

Pois é, são refugiados de guerra. Da nossa guerra urbana. Que confina saguis a fios de alta-tensão, que troca mata nativa por manacás, bromélias, hibiscos, palmeiras e até por árvores frutíferas, pasme, porque elas propiciam um ambiente agradável com sombra e frutas doces, que atraem pássaros e de alguma maneira diminuem a culpa dos paisagistas e clientes, sempre preocupados com peixes-boi, desmatamento e pandas. Em São Paulo, o Plano diretor Estratégico de 2002 foi revisado, modernizado e está entusiasmando subprefeituras e organizações que querem dar sequência ao diálogo entre poder público e sociedade para a construção do principal instrumento de planejamento da cidade. O PDE lá já é uma realidade. Aqui, pelos interesses envolvidos, o assunto causaria mais espuma que substância. De qualquer forma, fica o lamento.

Plinio Lopes Junior