A avaliação positiva dos investidores das reformas econômicas e sociais anunciadas pela China, as maiores em três décadas, derrubou o dólar e impulsionou a Bolsa, nesta segunda-feira (18).
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Até o final do ano, a previsão é que se mantenha entre R$ 2,25 e R$ 2,30 |
A aposta é que os mercados emergentes, como Brasil, poderão ser beneficiados pelo crescimento e pela maior abertura do gigante asiático a investimentos do exterior.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, caiu 2,20%, a R$ 2,267, e o dólar comercial, usado no comércio exterior, teve queda de 2,32%, a R$ 2,268.
Das 24 moedas emergentes mais negociadas, 18 subiram em relação ao dólar e o real foi a que mais se valorizou hoje, seguida pela rúpia indonésia (alta de 1,98%) e pela rúpia indiana (alta de 1,53%).
O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, acompanhou o otimismo e fechou o dia em alta de 1,60%, a 54.307 pontos. O otimismo contagiou outros mercados, como o americano, onde os índices Dow Jones e S&P 500 atingiram suas máximas históricas durante o dia. O S&P 500 bateu os 1.800 pontos pela primeira vez na história, embora tenha perdido o patamar ao longo da sessão.
A China divulgou nesta segunda-feira (18) seu plano de crescimento para os próximos anos, que inclui a flexibilização da política do filho único, além da promessa de abrir mais seu setor financeiro. O governo também pretende permitir maiores investimentos estrangeiros na economia, além de maior controle do mercado sobre preços de combustíveis e energia, por exemplo.
Segundo o economista André Perfeito, o anúncio teve efeito positivo sobre os mercados mundiais e foi capturado por boa parte deles na própria sexta-feira e pelo mercado brasileiro hoje, devido ao feriado da Proclamação da República. "A China está permitindo que a iniciativa privada ocupe espaço maior em sua economia. Isso atrai investimentos mais pesados na economia chinesa, o que anima os mercados emergentes, entre eles o Brasil, e fortalece as moedas locais desses países contra o dólar", afirma. "Mas é difícil saber até que ponto isso vai se concretizar."
Novo patamar
Para os especialistas ouvidos pela reportagem, a moeda deve permanecer nesse patamar de R$ 2,25 a R$ 2,30 até o final do ano, podendo alcançar R$ 2,35, segundo algumas projeções. Tudo vai depender da velocidade da retirada dos estímulos concedidos pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) à economia americana.
Todos os meses, o Fed recompra US$ 85 bilhões em títulos públicos para estimular a economia americana. Parte do dinheiro vira investimentos em outros países, inclusive no Brasil.
O fim do programa de estímulos preocupa países emergentes, que temem que suas moedas percam força em relação ao dólar.
Na quinta-feira (14), a indicada ao comando do Fed, Janet Yellen, deu a entender que deve dar continuidade à política de recompra dos títulos enquanto os indicadores americanos não melhorarem. No dia seguinte, a divulgação da queda da produção industrial dos EUA em outubro contribuiu para que os investidores considerassem que o programa deve continuar, pelo menos nos próximos meses.
Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, o patamar entre R$ 2,25 er R$ 2,30 é "equilibrado" para a moeda americana. "Eu não estava conseguindo digerir a euforia do mercado com a moeda a R$ 2,15, R$ 2,17. Agora está em um nível mais adequado", afirma.
Até o final do ano, a moeda deve alcançar R$ 2,35, na opinião do especialista. "As condições que levaram o mercado a buscar um valor mais alto, antes de o Banco Central entrar com o cronograma de leilões diários de contratos de swap (que equivalem à venda futura de dólares), continuam as mesmas", diz.
Hoje, o Banco Central realizou o quarto leilão de swap cambial tradicional para rolar os contratos que vencem em 2 de dezembro. A autoridade monetária vendeu a oferta total de 20 mil contratos de swap. Somando as quatro operações já feitas, a autoridade monetária já rolou US$ 3,952 bilhões, ou 39,1% dos US$ 10,110 bilhões do vencimento total.
Nesta segunda-feira de manhã, o BC ainda deu continuidade ao seu programa de atuações diárias, com a venda de 250 contratos com vencimento em 5 de março e 9.750 contratos com vencimento em 2 de junho de 2014. No total, o volume financeiro equivalente das operações foi de US$ 495,8 milhões.
Bolsa
Além da China e da expectativa de manutenção dos estímulos nos EUA, o Ibovespa foi impulsionado pela alta das ações da Petrobras.
Segundo André Moraes, analista da corretora Rico, a previsão é que na reunião da próxima sexta-feira seja definida a nova metodologia de reajuste de preços de combustíveis. "Há boatos de que após o próprio encontro já será anunciada alta de 5% na gasolina, o que fez os papéis da empresa subirem", diz.
As ações preferenciais (sem direito a voto) da Petrobras subiram 4,84%, a R$ 21,44, enquanto as ordinárias (com direito a voto) tiveram valorização de 3,78%, a R$ 20,34.
O dia teve também vencimento de opções sobre ações, ou seja, a aposta dos investidores sobre o preço futuro dos papéis. Segundo a BM&FBovespa, o exercício de contratos de opções sobre ações movimentou R$ 3,6 bilhões, sendo R$ 3 bilhões em opções de compra e R$ 0,6 bilhão em opções de venda.
Para Wagner Caetano, diretor do Cartezyan, terminal de informações e de negociação no mercado financeiro, o investidor deve ter cautela nos próximos dias. "No dia seguinte ao último vencimento de opções houve uma queda forte da Bolsa. Como o Ibovespa está bem descolado de seus pares internacionais, pode haver um movimento de realização forte nos próximos dias", adverte.