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João Rosan |
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Retirar trilhos de dentro da cidade pode evitar acidentes como o da semana passada |
Bauru dará hoje o que pode ser o primeiro passo para resolver um problema que preocupa a população e autoridades há anos. A América Latina Logística (ALL), concessionária que administra a linha férrea, apresenta nesta manhã ao município um estudo de viabilidade para construir um anel ferroviário e, assim, retirar os trilhos de dentro da cidade. Serão apresentados três traçados distintos.
O projeto, que começou a ser elaborado em abril, é um pedido antigo do prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e conta com o apoio do deputado federal Milton Monti (PR). “É uma reivindicação antiga e que, finalmente, eles vão nos entregar isso amanhã (hoje)”, aponta o prefeito.
A retirada dos trilhos que “cortam” Bauru é algo que repercute há tempos. Acidentes com veículos que tentam atravessar passagens de nível e até com moradores nas proximidades da linha férrea aumentam a preocupação. Prova disso foi o caso registrado na semana passada e que resultou na amputação da perna de uma menina de 11 anos (leia mais abaixo).
O projeto que será entregue hoje à prefeitura é um Estudo de Viabilidade Técnica Econômica e Ambiental (EVTA) do entorno ferroviário na cidade. Não foram divulgados dados do que foi concluído na análise.
Contudo, por meio da assessoria de comunicação, a ALL afirma que, além da capacidade da ferrovia e do melhor traçado, “o trabalho também considera questões socioeconômicas e ambientais, que serão necessárias para a execução do projeto”.
O anel ferroviário é uma obra de infraestrutura pública. Assim, de acordo com a ALL, os serviços devem ser pleiteados pelas prefeituras junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).
As obras devem ser executadas com recursos do governo federal. A concessionária, porém, não revelou o valor estimado. “Para o EVTA de Bauru, a ALL apontou três traçados distintos e, assim que o estudo for entregue pela prefeitura ao Dnit, o órgão terá 90 dias para analisar e escolher o melhor trajeto”, completou a concessionária, em nota.
1º passo
Todos os envolvidos entendem que a apresentação do projeto hoje é algo extremamente embrionário. Ao receber o estudo de viabilidade das mãos da ALL, a prefeitura precisa encaminhá-lo ao Dnita, que é quem dará a palavra final. Contudo, concordam que já é um primeiro passo importante.
O deputado Milton Monti afirma que ajudará nessa interlocução. Ele, inclusive, deve ter um papel bastante importante na captação de verbas federais para a execução do contorno ferroviário.
“Vou estar totalmente presente no passo a passo desse projeto. É algo que pode ocorrer, porém depende de vários fatores. Mas estamos acompanhando de perto o que é preciso para melhorar a malha ferroviária da região de Bauru. Este é um primeiro passo importante”, conclui o parlamentar.
Vítima recente
Na última quarta-feira, a pequena Izabelly Luiza Barga dos Reis, 11 anos, foi atingida por um trem no Núcleo Octávio Rasi. A criança, que, segundo testemunhas, brincava de “pegar rabeira” na máquina em movimento, precisou amputar a perna direita na altura do joelho.
O acidente ocorreu na parte de trás do Residencial Parque dos Eucaliptos, onde a menina mora com a família. Ali, em um declive sem qualquer proteção, passa a linha férrea.
Até ontem, a criança continuava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica do Hospital Estadual (HE). De acordo com boletim médico emitido pela assessoria de comunicação da instituição, ela passa bem.
Exploração de minério de ferro em MS deve ajudar projeto a sair do papel
Apesar de não ter sido divulgado o valor da retirada dos trilhos de dentro da cidade e da construção do anel ferroviário, sabe-se que o montante não será baixo. Porém, o deputado Milton Monti explica que nuances econômicas podem contribuir para que o projeto apresentado hoje realmente saia do papel.
De acordo com o parlamentar, a exploração de minério de ferro em Corumbá (MS) pode ser o fator decisivo para isso. “Há um interesse de exportação desse minério de ferro. Assim, esse anel ferroviário seria necessário para aumentar a capacidade de carga e levar o minério extraído de Corumbá até o porto de Santos”.
Conforme o JC divulgou em maio deste ano, atualmente, passa uma carga de 1 milhão de toneladas por ano pela cidade. Com a provável exploração do minério de ferro, o número deve chegar a 27 milhões.
Monti revela ainda que o projeto não é isolado para Bauru. Para a exportação por meio da malha viária, seria preciso construir anéis ferroviários também em cidades da região, como Lençóis Paulista, São Manuel e Sorocaba.
“Se fosse Bauru sozinha, é algo que seria mais difícil. Porém, há esse interesse comercial. A exportação desse minério de ferro deve ser um interesse do próprio governo. Então, vamos atuar para ver se parcerias são possíveis”, aponta o parlamentar, complementando ainda que, dessa forma, o mercado internacional das commodities pode ter influência.