08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Trabalho extraclasse do professor


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O Jornal da Cidade (16/11, pág. 9) publicou manifesto dos sindicatos: Contee (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino); FEPESP (Federação dos Professores do Estado de São Paulo) e Sinpro-Bauru).

O Manifesto se refere à campanha dos professores contra o excesso de trabalho extraclasse, e chama a atenção do professor. Como professor aposentado do magistério estadual/SP, espontaneamente solidarizo-me com os professores do ensino particular em apoio ao Manifesto.

Essa campanha dos professores contra o trabalho extraclasse me faz evocar meu artigo sob o título "Professor Visitador", publicado no extinto jornal "Bauruzão", em 24 de março de 2006. No artigo, apresentei críticas à matéria intitulada "O bloco dos cidadãos invisíveis", de autoria do jornalista Gilberto Dimenstein, publicado na Folha de São Paulo (26/02/2006), página 6.

O colunista Dimenstein comentava uma experiência realizada na escola pública da zona norte de São Paulo "Comandante Garcia D?Ávila", apelidada de "Maloquinha".

Para a solução dos graves problemas existentes na escola - muros pichados, vidros quebrados, portas arrombadas, banheiros quebrados, brigas entre alunos - foi criada a figura do "Professor Visitador", que deveria ir a cada uma das famílias dos alunos e ganhava um acréscimo em seu salário. A família, sentindo-se valorizada com a visita, passava a ajudar a escola, refletindo na atitude e no aprendizado dos alunos.

Enquanto o jornalista Gilberto Dimenstein elogiava a criação do "Professor Visitador", eu combatia a medida como negativa e inconcebível, qualificando essa figura do "Professor Visitador" como desvio de função do exercício da docência.

Esclarecia que o trabalho do professor não se limita à sua atividade apenas no interior da sala de aula. Temos a preparação das aulas, formulação das questões para os exercícios e provas, sua correção que acarreta sobrecarga do trabalho docente e consequentemente desgaste físico e mental.

Ressalva que a figura do "Professor Visitador" conflita com a atividade do assistente social, com registro no Conselho Regional do Serviço de Assistência Social. Cargo que deveria e deve existir em todas as escolas, públicas e particulares: "Serviço Social Escolar".

É preciso deixar claro que na administração e no cargo técnico, é possível protelar um trabalho para depois, bater um papo, tomar um café. Mas dentro da sala de aula, isto é impossível. É preciso enfrentar os alunos, em classes numerosas, heterogêneas e buliçosas, nesta época da vida social agitada.

Quanto ao padrão de qualidade do ensino, está afeto ao corpo docente qualificado e satisfatoriamente remunerado. Grato pela atenção.

Rodolpho Pereira Lima