10 de julho de 2026
Polícia

Assassino tinha histórico de agressões contra esposa

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Um golpe fatal no peito e uma família praticamente destruída. É assim que terminou um relacionamento de quase 16 anos da ajudante geral Cátia Regina Lopes, de 36 anos, com o pedreiro e ex-presidiário Pedro Ferreira, de 45 anos.

Durante uma discussão no final da noite de anteontem, na residência do casal, no Jardim Ivone, ele matou a esposa com um golpe de faca que acertou o lado esquerdo do peito.

A mulher chegou a ser socorrida por vizinhos que foram chamados pelo próprio acusado – que alegava arrependimento –, mas morreu antes mesmo da chegada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Mary Dota. 

Acionada, a Polícia Militar (PM) conseguiu localizar o acusado, que tentou fugir se escondendo em um matagal no bairro. Pedro Ferreira, vulgo “Pedrinho”, foi preso em flagrante e confessou o crime.

Ele foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Bauru e responderá por homicídio doloso qualificado, cometido por motivo fútil e por meio de recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Segundo levantamento extraoficial feito pelo JC, esse foi o 31º homicídio registrado neste ano em Bauru.

Histórico

Em fevereiro de 2006 e em maio de 2008, a vítima já havia representado contra o companheiro por duas agressões, sendo que uma delas resultou em ferimentos leves provocados pelo autor com uso de um facão. Além disso, Ferreira também já teria passagens por homicídio, roubo e furto.

Apesar das ocorrências e do histórico de violência recorrente do autor contra a vítima, confirmado pelos próprios familiares, o casal continuava morando na mesma casa.

O crime

O fato aconteceu por volta das 23h30 na sala da casa da família, localizada na quadra 3 da rua Edvaldo Rubens de Carvalho.

Na ocasião, dois dos três filhos da vítima estavam na casa, mas estariam dormindo e não teriam presenciado a cena.

Na sala da casa, as marcas de sangue na parede dimensionavam o tamanho da tragédia ocorrida naquela noite.

A faca utilizada pelo autor no crime foi apreendida após ser encontrada jogada em frente à residência da família. O local passou por perícia técnica. O delegado plantonista Paulo Calil acompanhou os trabalhos.

Conforme o JC apurou, depois do crime, Ferreira teria deixado a casa desesperado para pedir ajuda aos vizinhos dizendo que havia acabado de matar o amor da sua vida.

O marido ainda quis ir junto ao hospital, mas acabou impedido pelos moradores. As crianças foram acolhidas na casa de um vizinho durante a ocorrência e, posteriormente, entregues à Rosemeire Aparecida Pedro, de 39 anos, irmã da vítima.


Prisão

Quando a PM chegou ao local, a esposa já havia sido socorrida e encaminhada à UPA do Mary Dota. Já o marido tinha deixado o local, na tentativa de fuga. Porém, acabou sendo abordado por policiais duas quadras à frente com vestígios de sangue na roupa.

Apesar da tentativa de fuga, o homem não resistiu à prisão e confessou a autoria do crime aos PMs no local, alegando arrependimento.

O caso segue sob a responsabilidade do delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Kleber Granja, que informou ontem já ter solicitado o pedido de conversão da prisão temporária para prisão preventiva.

“No interrogatório ele confessou que matou. Ela estava querendo terminar, mas ele não aceitava a separação. Familiares contam que ele vinha agredindo a vítima e que os problemas aumentaram nos últimos dias”, comenta Kleber.


‘O sonho dela era ficar livre dele’

No velório da ajudante geral de 36 anos, realizado ontem de manhã na capela do Jardim Ivone, o clima era de revolta, tanto de filhos e parentes quanto de amigos da família.

Cátia é descrita pela irmã Rosemeire Aparecida Pedro como uma mulher trabalhadora, reservada, caseira e que fazia de tudo pelos filhos.

Há um ano ela trabalhava separando o estoque de roupas e sapatos de uma loja da cidade.

“Ultimamente, o sonho dela era ficar livre dele. Era da casa para o trabalho, nem visitar os parentes que moram aqui no mesmo bairro ela podia ir. Ele era muito ciumento e brigava com ela por tudo. Era ela quem sustentava a casa e até os vícios dele. Ele usa drogas e bebe muito. A Cátia tinha medo de separar e ele fazer algo contra eles”, conta a irmã, emocionada.


Rompimento

Segundo Rosemeire, Cátia teria iniciado relacionamento com Ferreira ainda na adolescência. “Ela era apaixonada e fugiu de casa para ficar com ele quando tinha uns 15 anos, mas depois que engravidou, ele começou as agressões”, detalha.

A partir de então, casal teria rompido o relacionamento por alguns anos, período em que Cátia teve seu segundo filho.

Há cerca de oito anos, entretanto, Ferreira voltou a procurá-la e o relacionamento foi reatado. Nesse período nasceu o segundo e último filho do casal. Época em que a ajudante geral também registrou duas ocorrências contra seu companheiro na delegacia.

“Ela vivia chorando e dizia que queria se separar. Na semana passada falou que iria colocar um fim em tudo. Ela queria que ele saísse de casa”, comenta a amiga e colega de trabalho da vítima, Sônia Bento, de 36 anos.

“Ele destruiu minha família. Por que ele fez isso?”, indagava em voz alta a filha mais velha da vítima, durante o velório da mãe.

O corpo de Cátia Regina Lopes foi enterrado por volta das 16h no cemitério do Jardim Redentor.