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Malavolta Jr. |
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Artista visual faz leitura da discriminação com destaque para figura da mulher negra |
Qual a posição da mulher negra na sociedade? Essa é alguma das muitas reflexões possíveis a partir do contato com as obras da paulistana Rosana Paulino, 46 anos. A artista visual, professora e pesquisadora esteve em Bauru na tarde de ontem, no Dia de Consciência Negra, para ministrar um bate-papo e uma oficina para professores de artes da rede pública de Bauru, que participam do projeto “A Cidade que é a Nossa Cara”, do Instituto Arte na Escola.
A artista convidada ministrou as atividades no Núcleo de Aperfeiçoamento Profissional da Educação Municipal (Napem) e falou ao JC um pouco de seu trabalho. Desde o início de sua carreira, Rosana vem se destacando por sua produção ligada a questões sociais, étnicas e de gênero.
A artista faz uma leitura da discriminação a partir da imagem do negro no país, destacando-se a figura da mulher. “Faço um recorte muito específico em minhas obras. Tento investigar a situação da mulher negra, qual a posição desta mulher na sociedade brasileira pra fazer este recorte de gênero. É uma pesquisa que já tem 20 anos”, relata Rosana.
Nos “retratos” que faz da mulher negra, Rosana nos faz refletir sobre várias questões que ainda se impõem como desafios a esta mulher na atual sociedade – como o acesso ao estudo, os estereótipos de beleza, entre outros fatores.
Suturas
Entre as obras de Rosana, destacam-se os trabalhos com as suturas, feitas com linhas negras, em uma costura “mal feita”. São imagens editadas digitalmente, transferidas para um tecido e depois impressas. O nome para este tipo de trabalho da artista – “Bastidores” – retrata a mulher negra em situações de violência doméstica e de racismo.
“A costura, na verdade suturas, aparecem em locais como olhos, bocas. E propositalmente são feitas utilizando uma linha preta, formando uma costura ‘mal feita’ – ao contrário de um bordado, por exemplo, que nos lembra uma mulher bordando em casa, tranquila. Essa costura em bocas, olhos e garganta tem seus significados”, explica a artista. Outros objetos encontrados nas obras de Rosana – que trabalha com escultura, vídeo, pintura, etc. – levam a elementos de poder e de coerção a essas mulheres.
Em sala de aula, professor também é artista
Discutir o processo criativo e a importância da criação nas aulas de artes foram pilares para o bate-papo seguido de oficina ministrados por Rosana Paulino. Participaram cerca de 20 professores da rede pública de Bauru. A atividade integra o projeto “A Cidade que é a Nossa Cara”, do Instituto Arte na Escola, que é desenvolvido neste semestre em Bauru. São parceiros da iniciativa a Faac/Unesp, Tilibra (também patrocinadora), Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAC), Secretaria da Cultura do Estado, Prefeitura de Bauru e Diretoria de Ensino.
Durante o bate-papo, Rosana reforçou a importância de vivenciar a arte em sala. “O professor, com as demandas do dia a dia, não cria, apenas reproduz, e assim se distancia dos momentos de criação, que é algo fundamental pra que ele entenda o processo da arte e tenha experiência prática. E essa falta de vivência com a criação artística gera medos que precisam ser quebrados”, ressaltou.