08 de julho de 2026
Articulistas

Empreender é muito mais do que desejo

Reinaldo Cafeo
| Tempo de leitura: 2 min

Pesquisas apontam que boa parte dos brasileiros deseja abrir seu próprio negócio. Em alguns países, notadamente os desenvolvidos, o desejo é diferente, ou seja, fazer carreira nas grandes corporações. Abrir o próprio negócio é sinônimo de empreender e empreender é muito mais do que desejo. Há inúmeros exemplos de pessoas que se lançaram as atividades empresariais sem o devido preparo. Uma coisa é ser um bom técnico, conhecedor de uma especialidade que é o ponto de saída do empreendimento, outra coisa é ser gestor em sua plenitude.

A gestão envolve estratégias, táticas e operações. Estes três elementos darão o tom do planejamento e execução do empreendimento. O empreendedor tem que ter clareza que comandar seu próprio negócio envolve riscos. A noção clara do tamanho do risco é o ponto de partida para quem quer se enveredar no mundo dos negócios. Risco mais elevado, retorno mais elevado, risco menor, retorno menor, esta é a lógica.

Equacionada a relação risco/retorno é preciso saber onde se quer chegar. Há uma frase emblemática que diz "quem não sabe para onde quer ir, qualquer lugar é bom". Para isso é preciso traçar os pilares da estratégia de negócios. Em meio a isso tudo é preciso motivar a equipe. Transformar colaboradores em líderes, que estejam sintonizados ao desejo do empreendedor. Também é preciso saber lidar com fornecedores de matéria-prima, prestadores de serviços, sistema bancário, enfim, possuir e praticar uma visão multidisciplinar.

As áreas da empresa, independentemente do porte da empresa, precisam ser convergentes. Produção, comercial, administrativo, finanças, marketing, entre outras, precisam estar na mesma sintonia, voltadas para resultado. Mesmo com atuação solo o empreendedor somente terá resultados se possuir e desenvolver habilidades em todas as áreas e quando isso não é possível, deve procurar apoio de especialistas. Há exemplos de empreendedores que tinham somente uma ideia e se deram bem, mas a maior parte, por não fazerem a lição de casa, desperdiçaram recursos, e tiveram que recomeçar a vida profissional do nada.

Como dizem: "O dinheiro não leva desaforo". Se no passado a inflação mascarava uma série de problemas de gestão, hoje, em um mercado competitivo, com exigência de qualidade nos produtos e serviços, com inflação baixa, tendo equacionar produtividade, fazendo mais com menos, é praticamente impossível conviver com riscos e obter os retornos esperados. Desejar empreender é uma coisa, elaborar um bom planejamento para empreender, é outra coisa. O mercado não aceita mais amadores.

O autor, Reinaldo Cafeo, é economista, diretor regional do Corecon e articulista do JC