08 de julho de 2026
Geral

Funcraf estuda saída para imóvel de R$ 30 milhões

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 3 min

Mesmo diante de um momento de crise, a Fundação para o Estudo e Tratamento das Deformidades Craniofaciais (Funcraf) não tem planos para deixar Bauru. Dona de um imóvel avaliado em mais de R$ 30 milhões, a entidade analisa a proposta de quatro interessados em alugar o espaço para desenvolver atividades dentro da área de saúde.

A informação foi confirmada ontem pela gerente geral da entidade, Cristina de Arruda Augusto. A área de 200 mil metros quadrados, localizada no Distrito Industrial, às margens da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Jaú), é ocupada por cinco prédios, sendo quatro térreos e um com cinco andares.

Embora prefira não revelar os nomes dos interessados, Cristina adianta que dois são vinculados à iniciativa privada e o restante, ao poder público. Questionada pela reportagem, ela garante que as tratativas iniciadas com estes dois últimos não se referem à esperada instalação da faculdade de medicina na cidade.

“Isso demandaria uma reforma enorme, com novas construções. E esta não é a pretensão dos atuais interessados. Nossa prioridade é que o locador queira desenvolver atividades na área de saúde e as propostas estão em análise”, observa.

A gerente da Funcraf conta que a área foi doada à entidade pela Behring, empresa fabricante de medicamentos que encerrou suas atividades naquele local há mais de dez anos. Toda a negociação, ela salienta, foi intermediada por José Alberto de Souza Freitas, o Tio Gastão, que ficou 45 anos à frente do Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP).

“Como a Funcraf é uma entidade filantrópica, esta empresa doou aquele espaço porque queria contribuir para os trabalhos de pesquisa da USP”, explica. Entre os estudos desenvolvidos na época, estava o Projeto Global, voltado ao levantamento de dados sobre fissuras labiopalatais.

Depósito

No local também funcionou, por um período, a sede administrativa da fundação. O escritório foi transferido para perto do Centrinho, quando a diretoria começou a estudar a possibilidade de disponibilizar o imóvel para aluguel.

Cristina conta que, em meados no ano passado, uma fabricante de stents (tubos que são inseridos no corpo humano para permitir o fluxo sanguíneo e prevenir o entupimento de artérias coronarianas) quase concretizou o negócio, para fazer do espaço um centro de pesquisa e distribuição de suas mercadorias. Mas, depois de reformar todo o prédio, a empresa faliu pouco antes de iniciar suas atividades.

Atualmente, os prédios funcionam como depósito para os arquivos mortos do Centrinho e para guarda de documentação e patrimônio das quatro unidades da Funcraf – além de Bauru, a fundação também atua em Itapetininga, São Bernardo do Campo e Campo Grande (MS).

Também detém uma grande Área de Proteção Permanente (APP) e um poço artesiano explorado pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE), que abastece três bairros das imediações.

Para fazer a manutenção, a Funcraf mantém dois funcionários no local, além de contar com vigilantes contratados por meio de uma empresa terceirizada. “Temos um gasto considerável e por isso nosso interesse de alugar. Só não iremos vender porque a fundação precisa ter uma área em garantia caso, um dia, vier a ser questionada judicialmente por algum motivo”, frisa.


Apenas 24% dos funcionários permanecem no Centrinho

Por meio de uma ação do Ministério Público do Trabalho (MPT), os funcionários da Funcraf que atuavam no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/Centrinho) da Universidade de São Paulo (USP) começaram a ser demitidos por não terem sido contratados por meio de concurso público.

As primeiras denúncias surgiram em 2007 e, no final de 2011, a USP começou a substituir os funcionários, até então contratados via Funcraf a partir de análise de currículo e entrevista.

Dos 292 trabalhadores inicialmente vinculados ao hospital, restam, hoje, apenas 70, ou 24% do total.

De acordo com a gerente geral da fundação, Cristina de Arruda Augusto, quem ainda permanece no quadro são funcionários ligados ao sindicato da categoria ou à Comissão Interna de Prevenção e Acidentes (Cipa), pessoas em licença médica, licença-maternidade ou com estabilidade pré-aposentadoria, ou ainda aqueles que desempenham funções cujas novas contratações não foram feitas por meio de concurso público.

“Vale lembrar que alguns funcionários que foram demitidos continuam trabalhando no Centrinho porque prestaram concurso público e conseguiram ser aprovados”, salienta.