A possibilidade de novo aumento no custo para contratação de caçambas na construção civil, após a majoração vigente desde o último 20 de novembro, provocou a interferência direta do governo municipal no assunto. O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) faz um alerta para que a Associação dos Transportadores de Entulhos e Agregados de Bauru (Asten) e a única empresa que faz reciclagem desses materiais (do empresário João Rays) entrem em acordo neste final de semana sobre o custo para a destinação dos resíduos recolhidos à usina e que o preço seja justo e acessível.
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Rodrigo, vereadores, Asten e proprietário da única usina de reciclagem discutiram assunto ontem, na prefeitura
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Com a participação dos vereadores Fabiano Mariano (PDT), Telma Gobbi (PMDB) e Roberval Sakai (PP), e dos secretários de Obras, Sidnei Rodrigues, e do Meio Ambiente, Valcirlei Silva, Agostinho se reuniu com caçambeiros e o proprietário da usina, ontem, na prefeitura, para discutir o impasse.
Desde a última quarta-feira, o custo para contratação de caçambas de 3 metros cúbicos (4,5 toneladas) aumentou de R$ 90,00 para R$ 155,00. Isso porque o município, em cumprimento ao Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), regulamentou o transporte e destinação adequados ao entulho produzido pela construção civil.
No preço, está embutido o valor de R$ 55,00 cobrado pela usina para receber o material. A surpresa para a maioria dos caçambeiros, porém, é de que a quantia previamente estipulada seria praticada para caçambas que tivessem apenas resíduos de classes A e B: tijolo, telhas, areia, papel, papelão, plástico e madeiras, por exemplo.
“Para um dos caçambeiros, a usina chegou a cobrar R$ 100,00. Como pode isso? Nós agora vamos ter que combinar um preço e depois ligar para o gerador e dizer que ficou mais caro?”, questionou Gerson Luiz Alves Pinheiro, presidente da Asten.
João Rays, dono da usina, argumentou, na reunião, que o preço varia porque, caso haja materiais perigosos, como lâmpadas e outros, como o gesso, a empresa tem gastos para garantir a destinação correta, pois não são recicláveis. “Recebi uma cheia de lâmpadas”, exemplifica.
Durante a reunião, o prefeito Rodrigo Agostinho sugeriu que, por se tratar de um período de transição, a empresa deveria adotar tolerância para o recebimento de materiais inseríveis. “Estipular 10% do peso, por exemplo, sem cobrar a mais”, propôs.
Os caçambeiros, no entanto, queriam um preço médio, que não variasse de acordo com o tipo de material entregue à usina para viabilizar a locação das caçambas por um preço fixo. Ao final da reunião na prefeitura, foi combinado novo encontro às 17h de ontem para que os valores voltassem a ser discutidos entre a Asten e João Rays, mas o empresário não compareceu.
“Não cabe à prefeitura estipular um preço. Isso é questão para o mercado, mas não dá para aceitar que, por conta do monopólio, a usina cobre o que quiser da Asten nem que os caçambeiros cobrem o que quiserem da população. Por isso, estou fazendo um apelo para que todos sentem a mesa e rediscutam os valores nete final de semana”, diz Rodrigo.
Rodrigo revela, inclusive, a intenção de que os preços cobrados aos geradores caiam. Ele conta que a administração já estuda forma de trazer outras usinas que promovam a concorrência no serviço de reciclagem de entulho. “A prefeitura deve, inclusive, ceder áreas para elas se instalarem”, explica.
Triagem
O prefeito deixa claro que a administração não obriga que o entulho seja reciclado, explicando, porém, que só podem ser enterrados materiais de classe A. “O que é exigida é a triagem desse entulho”.
Atualmente, porém, não existem áreas licenciadas pela prefeitura que possam receber entulho. Mas Agostinho avisa que, na semana que vem, uma erosão no Jardim Marambá vai ser liberada, bem como o terreno de propriedade da Cohab, que será cedido à Asten para a triagem dos materiais.
“Está na hora também de os caçambeiros começaram a se recusar a retirar caçambas com materiais que não são da construção civil. É difícil porque, culturalmente, as pessoas jogam lixo nas caçambas, mas isso precisa mudar”, adverte o prefeito.