09 de julho de 2026
Nacional

Populares tentam agredir padrasto

Por Rene Moreira | Agência Estado
| Tempo de leitura: 2 min

Muita confusão marcou a reconstituição do caso Joaquim ontem à tarde, em Ribeirão Preto (231 km de Bauru). Apesar de todo o esquema de segurança montado com antecedência pela polícia, com o apoio do setor de trânsito da prefeitura de Ribeirão Preto, houve tumulto em várias ocasiões e tentativas de agressão ao padrasto do menino Joaquim Ponte Marques, Guilherme Longo, suspeito da morte na madrugada do dia 5.


A reconstituição durou cerca de duas horas, e Longo, vestindo uma camisa vermelha, com um colete preto à prova de balas, foi recebido no Jardim Independência, onde residia, aos gritos de “assassino” e pedidos de justiça. Antes disso, havia enfrentado protesto ao deixar a Delegacia de Investigações Gerais (DIG).


Ele participou de tudo e mostrou aos peritos todos os passos que diz ter dado na madrugada em que Joaquim desapareceu. Afirmou como saiu e como chegou, e mostrou a restituição até mesmo do momento em que teria fechado o portão com o cadeado, mas deixado a porta apenas encostada. O momento mais tenso foi quando ele caminhou mais de um quilômetro da casa até o local, onde diz ter ido sem sucesso tentar comprar cocaína.


Muitos manifestantes tentaram furar o bloqueio policial que tinha o reforço até da cavalaria. Alguns estiveram bem perto de conseguir agredir fisicamente o suspeito, que foi hostilizado o tempo todo. Depois de explicar na prática a versão, Longo foi levado de volta à delegacia e, em seguida, mandado de novo para a cadeia de Barretos (238 km de Bauru), onde está preso desde o dia 10 - data em que o corpo de Joaquim foi achado boiando no rio Pardo.


A mãe do garoto, Natália Ponte, que também está presa, não participou da reconstituição. “Não vejo a necessidade de colocá-la com ele na mesma cena”, disse o delegado Paulo Henrique Martins de Castro. Mais cedo, Natália havia sido ouvida em novo depoimento, assim como o padrasto. A polícia diz montar o quebra-cabeça que foi o sumiço do garoto.

 

Contradições de Guilherme

A reconstituição foi marcada por contradições do padrasto de Joaquim, Guilherme Raymo Longo, 28 anos, principal suspeito do caso. Entre as contradições da reconstituição, segundo o delegado Paulo Henrique Martins de Castro, está o tempo que Longo disse ter percorrido de sua casa até o local em que teria tentado buscar cocaína no dia do sumiço.


Em depoimento ele afirmou que, entre a ida e a volta, foram 40 minutos. Ontem, no entanto, ele percorreu o mesmo trecho, de 1.600 metros, em 20 minutos. Ainda conforme o delegado, outras contradições dentro da casa da família fizeram com que ele descartasse a participação de uma terceira pessoa no sumiço do garoto.


O advogado do padrasto disse que as contradições não incriminam seu cliente.