09 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Yola Guimarães

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 6 min

A dança encontrou Yola Guimarães em São Paulo, cidade onde ela nasceu, cresceu, estudou, dançou muito e conheceu o marido, Maurício Lima Verde. Por falar em marido, foi o amor que a trouxe para Bauru. “Casei-me com o Maurício e saí da avenida Paulista, onde eu morava, para viver em uma fazenda que não tinha nem energia elétrica (risos). E eu adorei! Foram anos mais que felizes”.

Uma pioneira do balé, ela viajou pelo Brasil e vários países do mundo promovendo a arte da dança. Em Bauru, foi professora e diretora de grupos como Grupo Imagem e Balé Yola Guimarães. Participou de muitos festivais e se orgulha dos frutos colhidos: “O Balé Cisne Negro está comemorando 30 anos do balé Quebra Nozes. E a estreia desse espetáculo foi uma coprodução do Balé Yola Guimarães, com o Cisne Negro, em Bauru”, exemplifica.

Amante de plantas e da vida no campo, ela trouxe um pouquinho da fazenda para sua casa em Bauru, com as espécies que dão flores e enfeitam o quintal. Aposentada há pouco mais de dez anos, Yola atualmente se dedica à música, leitura, viagens, pintura... Leia os principais trechos da entrevista, a seguir.


Jornal da Cidade  -  O que a trouxe a Bauru?

Yola Guimarães  -  O amor. Conheci o Maurício em um baile que eu fui com meu irmão. Encontramos com uma prima dele que se propôs a nos apresentar  um primo que estava chegando dos Estados Unidos, ele estudava lá na época, e estava de férias em São Paulo. Começamos a namorar, ele voltou para os Estados Unidos, ficou lá por mais uns 10 meses e, quando retornou ao Brasil, continuamos o namoro e nos casamos. Estamos casados há 53 anos e sou muito feliz com ele. Um grande companheiro, que sempre incentivou os meus projetos. Temos dois filhos ótimos e cinco netas que só me dão alegria. Só tenho a agradecer.

JC  -  Foi difícil a adaptação no Interior?

Yola Guimarães  -  Casei-me com o Maurício e saí da avenida Paulista, onde eu morava, para viver em uma fazenda que não tinha nem energia elétrica (risos). Ficamos um ano sem luz, ou seja, não tinha televisão, não tinha eletrodomésticos... Nada. E eu adorei! Vivi dez anos nessa fazenda. Encontramos muita cobra cascavel, aranhas... Temos coleções de cartões do Butantã agradecendo pelo envio das espécies (risos). Mas foi uma época muito feliz da minha vida. Minha família era toda de São Paulo e minhas sobrinhas sempre vinham passar as férias comigo. Já a família do Maurício era toda de Agudos. E imagine que, por coincidência, tenho um irmão que se casou com uma moça de Agudos (risos). Viemos para Bauru quando meus filhos estavam em idade escolar. Na fazenda, eles cresceram com toda a liberdade e espaço possíveis. 

JC  -  Como foi a sua infância na capital paulista?

Yola  -  Minha infância em São Paulo foi muito boa. Morávamos em uma rua cheia de parentes, no Jardim Paulista. Meus tios construíram uns ao lado dos outros, então éramos muitos primos e primas. Foi uma época maravilhosa. A gente ainda podia brincar nas ruas. Andávamos de bicicleta, patins... Tudo na rua.

JC  -  E onde o balé a encontrou?

Yola  -  Foi em São Paulo, onde eu fiz meus estudos de balé e dancei muito, inclusive em programas televisivos de música clássica do balé, com a Maria Pia Finocchio, que hoje é presidente da Associação Paulista de Dança e jurada do quadro Dança dos Famosos, do programa Domingão do Faustão, da Rede Globo. Fizemos muitos programas de dança clássica. Sempre fui muito apaixonada pela dança.

JC  -  Imagino que, com o casamento e a vida no campo, a senhora parou com o balé, certo?

Yola  -  Ah, sim. Isso por dez anos. Mas, quando nos mudamos para Bauru, eu comecei a dar aulas. Fui inúmeras vezes para São Paulo com o intuito de me atualizar. Há muitas coisas no balé que me dão orgulho. Uma delas é o Grupo Imagem, onde eu era a diretora e professora. Nós viajamos muito e fizemos bastante sucesso. Na época, não havia teatro em Bauru e eu me orgulho por ter participado, de alguma forma, da vinda do Ballet Stagium, Balé Cisne Negro... Tudo quanto é balé que vinha, eu participa da vinda deles.

JC  -  Grandes festivais?

Yola  -  Muitos deles. Eu dancei muito com o balé. Fui quatro vezes para os Estados Unidos, quatro para a Argentina, Paraguai... Ganhamos muitos prêmios em todos esses festivais. Uma grande crítica de balé profissional disse que éramos um grupo amador com categoria de profissional. Alguns me trazem uma enorme satisfação. Agora, o Cisne Negro está comemorando 30 anos do balé Quebra Nozes. E a estreia desse espetáculo foi uma coprodução do Balé Yola Guimarães, com o grupo Cisne Negro. E foi apresentado em Bauru, com bailarinos deles e meus. Eles continuaram com o espetáculo, em São Paulo. Outra coisa que me satisfaz foi ter participado do 1º Festival de Balé de Joinville, em 1983.  Hoje, este festival é internacional e um dos mais reconhecidos.    

JC  -  Em 2012, a senhora voltou aos palcos.

Yola  -  Sim. Eu e um grupo de 15 ex-bailarinas minhas realizamos o espetáculo “Rever”. Celebramos a história do Grupo Imagem, que eu mantinha com aulas na escola de balé da Luso. Foi no Teatro Municipal. Foi uma delícia e comemorou meus 10 anos de aposentadoria. Encontramos-nos e resolvemos dançar. Ensaiamos e deu tudo certo (risos). 

JC  -  A senhora se aposentou há pouco mais de dez anos. A aposentadoria proporcionou novas atividades?

Yola  -  Eu sempre gostei muito de coral. E esta foi uma das coisas às quais eu me dediquei. Cantei nos corais Luzes e Arte e Viva. Passei a estudar teclado. Gosto de pintar quadros e de ler, principalmente livros que contam histórias reais de pessoas que saíram de suas casas para viver aventuras pelo mundo. Ler abre o nosso horizonte, vivemos muitas vidas através da leitura.

JC  -  E quais foram as suas aventuras pelo mundo?

Yola  -  Uma vez, fui para os Estados Unidos pelo balé, bem no dia da maior nevasca dos últimos 40 anos, na época. Tudo estava fechado. Não dava para andar na rua da Broadway porque só tinha neve. Totalmente diferente. Mas eu viajo muito com o Maurício, também. Já estive nos Estados Unidos, Argentina, Paraguai, França, Inglaterra, Alemanha, Itália... Viajo muito pelo Brasil, também. Eu gosto muito da liberdade que as viagens proporcionam, por isso não costumo participar de excursões. E a cultura dos povos me encanta.  

JC  -  Um momento de muita felicidade.

Yola  -  Eu tive muitos momentos felizes na vida, mas acho que posso citar a chegada dos meus filhos como as minhas maiores alegrias. Eu sempre quis ser mãe e tive dificuldades para isso. Tenho uma vida feliz. Os momentos que vivi no balé também foram muito bons.

JC  -  Um desafio superado.

Yola  -  A própria maternidade. Para o meu filho nascer, eu precisei ficar oito meses na cama e o seu nascimento foi uma alegria sem tamanho, sem explicação. Antes disso, eu perdi três bebês já com as gestações avançadas. Então, ter parido meus dois filhos foi um desafio superado e minhas maiores alegrias.  


Perfil

Nome: Yola Guimarães

Idade: 73 anos

Local de Nascimento: São Paulo

Marido: Maurício Lima Verde

Filhos: José Maurício e Clarice

Hobby: Tocar teclado, ler, pintar

Livro de cabeceira: Estou sempre lendo

Filme preferido: Gosto de romances

Estilo musical predileto: Música clássica e MPB

Time: São Paulo

Para quem dá nota 10: Para a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), por seu incrível trabalho na cidade

Para quem dá nota 0: Para a corrupção

E-mail: yolag@superig.com.br