08 de julho de 2026
Geral

Homens representam 70% dos doadores de sangue

Marcele Tonelli
| Tempo de leitura: 4 min

Fotos/Éder Azevedo

Em dezembro aumenta o uso das bolsas, mas a reposição quase sempre é insuficiente

Os homens são elencados como a força maior do Hemonúcleo de Bauru. Conforme um estudo baseado nos indicadores que apontam o perfil do público que frequentou a unidade nos últimos meses, 70% dos doadores de sangue na cidade eram homens.

O fenômeno, conforme explica a própria instituição, não é isolado e seria causado pela maior incidência de doenças, como anemia e pressão baixa, fatores que impedem a consumação do ato voluntário pelo sexo feminino.

Ontem foi comemorado o Dia Mundial do Doador de Sangue, data em que a unidade de Bauru ofereceu um lanche especial aos doadores.

Para marcar a data, um grupo de assentados do acampamento Irmã Doroty, em Agudos, compareceu ontem em peso à unidade para doação.

A assistente social Valéria Coltre: “Inaptidão

para doar sangue é bem menor em homens”

Em números

De acordo com a assistente social do Hemonúcleo, Valéria Ferreira Nunes Coltre, a inaptidão de mulheres à doação de sangue sempre foi comum. Fatores, como menstruação com grande fluxo, sempre afastaram as pretendentes do sexo feminino.

Em 2012, dos 12.189 doadores de sangue do Hemonúcleo de Bauru, 3.717 eram mulheres. Todas entre 18 e 39 anos, que é a faixa etária ativa na unidade.

Para se ter ideia da frequência da inaptidão, 514 pessoas do sexo feminino foram consideradas inaptas à doação no ano passado por conta da anemia, ante 35 homens.

Já quando o assunto é pressão alta, o fenômeno muda de figura. Em 2012, enquanto esse tipo de doença tornou 45 homens inaptos, apenas nove mulheres foram impedidas de doar pelo mesmo motivo.

“O número da inaptidão em homens é bem menor e provocado quase sempre pela pressão alta, que está relacionada a uma alimentação mais pesada e excesso de bebidas alcoólicas e cigarro, por exemplo”, explica Valéria.

Necessidade

Maioria ou não, o fato é que as festas de final de ano já estão chegando, junto ao período em que o estoque de sangue do Hemonúcleo se aproxima do zero.

A unidade, portanto, volta a apelar sobre a importância do ato voluntario.

“Em dezembro aumenta muito o uso das bolsas, mas a reposição quase sempre é insuficiente. Muita gente acaba doando só quando alguém próximo precisa. O ideal é que isso seja feito independentemente da necessidade ao longo do ano. Se cada pessoa doasse pelo menos duas vezes por ano, nunca iria faltar sangue”, ressalta a assistente social.


Voluntariado

Um grupo de assentados do Movimento Sem-Terra (MST) do acampamento Irmã Doroty, em Agudos, fretou ontem um ônibus e compareceu em peso no Hemonúcleo de Bauru.

Em plena 7h já era possível observar uma multidão formada por quase 70 pessoas na porta da unidade.

“Sabemos da dificuldade e queremos difundir a solidariedade. Fazemos parte de um movimento pacífico e lutamos pela família e pelos brasileiros como um todo, por isso esse ato tão importante nesta manhã”, afirma uma das organizadoras do grupo, Valéria Nogueira Felício, ao lado dos assentados e também doadores Edvaldo de Oliveira e Sônia Cruz.

“Já precisei de sangue e sei como é difícil. Qualquer bolsa faz toda a diferença”, frisa Edvaldo.

Às 10h, funcionários do Hemonúcleo já comemoravam o número de doações acima da média. “Em três horas, já foram 50 bolsas de sangue. Essa é a nossa média de coleta do dia todo”, comemora Valéria Coltre.

O Hemonúcleo aceita doadores de 16 a 69 anos. Os critérios para tonar-se um doador podem ser consultados por meio da página Hemonúcleo de Bauru, no Facebook. Mais informações podem ser obtidas na própria unidade, que fica nas imediações do Hospital de Base. Telefone (14) 3234-4412.


‘Sensação de renovação’

“Comecei a doar sangue aos 22 anos de idade, ao entrar para a faculdade. Atualmente eu faço em torno de oito doações ao ano, de sangue e também só das plaquetas, que ajudam os pacientes da oncologia. Ao fazer esse gesto, tenho uma ótima sensação de renovação. Não fumo, não bebo, levo uma vida bem saudável para ajudar os outros. Enquanto tiver saúde e forças, continuarei com as doações – já foram mais de 30 pela minha contagem. Minha história no voluntariado começou ainda antes da faculdade, quando todas as sextas-feiras à noite eu ia ao albergue noturno ajudar no atendimento. Como comecei a fazer direito e o horário ficou inviável, passei a me dedicar às doações de sangue, mas continuo ajudando no albergue em época de férias e feriados”. 


Felipe Serinolli, 26 anos, estudante de direito

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