|
João Rosan |
|
|
|
UPA do Mary Dota ficou sem médico das 19h de sábado até as 7h de domingo |
Sem qualquer médico das 19h de sábado às 7h do último domingo, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Mary Dota precisou acionar um médico do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) – cuja base central fica perto do campus da Unesp – para atender um cardiopata.
Levado pela família, o paciente deu entrada hipertenso na madrugada de domingo. Sua pressão chegou a 30 por 15, o máximo aferido pelo aparelho.
Por conta do quadro, ele sofreu um edema agudo de pulmão e foi socorrido pela equipe de enfermeiros e auxiliares. Os servidores foram orientados a acionar o médico regulador do Samu, diante de casos graves, por conta da ausência do médico que assumiu o plantão na unidade.
Enquanto o Samu conduzia uma equipe completa, o médico regulador orientou os servidores de plantão a medicarem o paciente para que a pressão baixasse e a colocá-lo no oxigênio, já que estava com muita falta de ar.
Posteriormente, o cardiopata foi entubado para evitar riscos durante sua condução ao Pronto-Socorro Central (PSC), de onde foi encaminhado à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base, local onde permanecia com quadro de saúde estável até a manhã de ontem, conforme informações do Departamento de Urgência e Emergência (DUE) da Secretaria Municipal de Saúde.
De acordo com o próprio departamento, o médico escalado para trabalhar teria avisado somente ao final da tarde que não compareceria ao trabalho, por motivos particulares, e não foi possível contatar outro profissional.
Revolta
A situação provocou revolta de alguns funcionários da própria UPA, que acionaram o representante do Conselho Gestor da unidade, Cristiano Alves Priolo da Silva.
“Isso não pode acontecer, estão brincando com a saúde da população. Os enfermeiros e toda equipe técnica não podem fazer quase nada se não houver um médico responsável”, critica o conselheiro.
Segundo o diretor do DUE, Antônio Bertozo Sabbag, para contornar a situação, a orientação à equipe de plantão foi de acionar o Samu em casos graves e de transferir pacientes nessas circunstâncias para a UPA do Redentor, a mais próxima do Mary Dota. Para tanto, ambulâncias ficaram disponíveis na UPA do Mary Dota que atende em média, durante o dia, 180 pacientes.
Profissional avisa em cima da hora e não há substituição
Sobre a ausência de médico na UPA durante a noite, a diretora de apoio operacional do Departamento de Urgência e Emergência, Roseli Guerrer Nietto, informou que a unidade não possui médicos fixos no horário em questão e que, portanto, está sujeita a imprevistos, já que o atendimento depende da disponibilidade e até da vontade dos profissionais da prefeitura para o chamado plantão extra.
“Poucos horários não possuem médico fixo na UPA do Mary Dota. Foi um final de semana atípico”, ressalta Roseli.
Os médicos que aceitam atuar em escala extra são remunerados em até R$ 1.352,48 para cada 12 horas de trabalho. “Como o valor pago é alto, é muito difícil as unidades ficarem sem médicos no plantão extra”, reforça a secretária do DUE, Márcia Takamoto.
Segundo ela, o médico escalado para o plantão em questão teria informado a necessidade de ausência minutos antes da hora inicial de trabalho, o que dificultou um encaixe na escala.
“Foi coisa de uns 30 minutos. Ele ligou e disse que teve problemas particulares. Logo depois, eu corri toda a lista de médicos ligando, mas nenhum aceitou trabalhar nesse horário e de última hora”, comenta Márcia.
Conforme o JC apurou, a escala da unidade prevê dois médicos plantonistas atuando das 19h de sábado até as 7h de domingo, o que demonstra que, de qualquer forma, a defasagem já acometeria a unidade.
Questionada sobre a situação, Márcia pontua que só um aceitou trabalhar no último final de semana. O nome do profissional e o motivo da ausência não foram informados. Ele tinha até as 17h de ontem para apresentar um atestado ou algum outro documento comprovando a necessidade de ausência.
Caso a justificativa não seja aceita pelos peritos da prefeitura, o profissional ficará sujeito a suspensão, advertência ou até a responder um processo administrativo por parte da corregedoria. Até o fechamento desta edição, o departamento estudava o encaminhamento deste caso.
90% completa
Apesar do problema ocorrido no último final de semana, o diretor do Departamento de Urgência e emergência, Luiz Antônio Bertozo Sabbag, garante que o atendimento nas unidades de saúde emergenciais não deverá sofrer ainda mais com a chegada dos períodos de festas.
“Parte dos médicos chamados no concurso assumirá logo no começo de dezembro. Com eles, as escalas das UPAs do Ipiranga, Geisel e Mary Dota ficarão 90% completas”, afirma Sabbag.